João Baptista por Leonardo da Vinci
Evangelho segundo São Lucas 3, 10-18
Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Baptista: «Que devemos fazer?». Ele respondia-lhes: «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo». Vieram também alguns publicanos para serem baptizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?». João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito». Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?». Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente; e contentai-vos com o vosso soldo». Como o povo estava na expectativa e todos pensavam em seus corações se João não seria o Messias, ele tomou a palavra e disse a todos: «Eu baptizo-vos com água, mas está a chegar quem é mais forte do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Ele baptizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo. Tem na mão a pá para limpar a sua eira e recolherá o trigo no seu celeiro; a palha, porém, queimá-la-á num fogo que não se apaga». Assim, com estas e muitas outras exortações, João anunciava ao povo a Boa Nova».
Da Bíblia Sagrada
Comentário: João Baptista inserindo-se na linha dos profetas do A. T., para os quais a conversão consistia em voltar a viver o amor de Deus e do próximo, indica aos homens das mais diversas classes sociais qual a penitência agradável a Deus – o cumprimento dos seus deveres, em função do amor do próximo.
Mas a conversão, com o abandono do pecado, é também recepção do Espírito, ou Amor de Deus, princípio duma vida nova, que se comunica mediante um sinal de conversão – o Baptismo.
Ninguém é excluído desta conversão, pois todas as situações humanas se podem viver no amor.
ResponderEliminarcontentai-vos com o vosso soldo
Muito interessante recomendação. Comei e calai.
Julguei que fosse de fácil alcance para si, a interpretação desta parábola, Balio.
ResponderEliminarA interpretação das palavras do Novo Testamento é muito polémica. Por exemplo, o dito de Jesus "a Deus o que é de Deus e a César o que é de César" é canonicamente interpretado como significando "Deus não põe em causa os reinos humanos". No entanto, a esse dito pode ser atribuída esta outra interpretação: "a terra de Israel só pertence ao povo de Deus e César não tem o direito de mandar nela".
ResponderEliminar
ResponderEliminarNão é por acaso que o João Távora aqui coloca as palavras da Bíblia acompanhadas por um comentário. É que, ao contrário dos protestantes - que instam os fiéis a lerem a Bíblia e a interpretarem-na mais ou menos literalmente ou livremente -, os católicos sabem que as palavras da Bíblia podem ter variadas interpretações e que é preciso fazer os fiéis verem qual a interpretação "correta" (aos olhos do catolicismo) dessas palavras. O catolicismo não deseja que os fiéis leiam a Bíblia sozinhos, quer que a leiam sempre bem acompanhada por comentários e explicações.
No meu comentário eu pretendi enfatizar que àquelas palavras "contentai-vos com o vosso soldo" talvez não deva ser dado o sentido que o catecismo católico gosta que lhes seja dado.
ResponderEliminar(cont.)
ResponderEliminarQuanto às "inúmeras" interpretações que os católicos façam ou não da Bíblia _ "guiadas" ou "induzidas" _ é uma afirmação sua.
Mas uma coisa tenha como certa, é que o "mundo" dos católicos tem uma coisa em comum: não vivem à margem (muito pelo contrário) do Mundo actual que os rodeia, nem do Conhecimento da Antiguidade Clássica e dos Filósofos da antiga Grécia. Antes está impregnado da sua influência. Lembre-se que há influências do Platonismo nos conceitos católicos acima referidos. E não só: basta atentar na frase "contentai-vos com o vosso soldo" muito semelhante à máxima dos estóicos "sustine et abstine" em defesa do desapego das coisas "mundanas" e da indiferença de nada desejar em demasia (ataraxia), como forma de purificação para se atingir a liberdade moral e espiritual. Coincidentemente ao mesmo exortam as Filosofias orientais, por exemplo, o Budismo defende uma atitude semelhante: para se chegar ao NIrvana, ou estado de Perfeição, é preciso percorrer várias fases até se atingir um estado de desprendimento total das coisas materiais, e propõem que nada se deve desejar que perturbe ou nos desvie das coisas do Espírito.
_ Melhor dizendo, há uma interpenetração de culturas e de Religiões que se "ligam" e influenciam: basicamente todas se referem ao caminho que se deve percorrer para se chegar a um estado Superior que nos pode conduzir ao Conhecimento Superior, a Gnose. Deus. Iluminação para uns.Mas Luz sempre.
O ecumenismo defendido levado à prática pelos últimos Papas, o que é senão a "religação" da centelha de divino que há no seres humanos?
ResponderEliminar(cont.)
Se o Balio conseguir responder com honestidade, diga-me o que há de errado nas palavras de exortação à renúncia do que é excessivo, despojando-se da posse de bens que se têm a mais, repartindo-os ? «Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo»
Se conhece a parábola "Olhai os lírios do campo" saberá que vai no «mesmo» sentido:
" as coisas que ajuntaste, para quem serão? Assim é aquele que entesoura para si, e não é rico para com Deus. Jesus disse a seus discípulos: Portanto vos digo: Não andeis cuidadosos da vida pelo que haveis de comer, nem do corpo pelo que haveis de vestir. Pois a vida é mais que o alimento, e o corpo mais que o vestido"...