
As autárquicas provocaram um debate sobre a validade das sondagens absolutamente delirante. Comentadores, analistas, jornalistas, políticos sublinham que elas são “retratos do momento” e não “previsões”, acusam de “iliteracia” quem as leva a sério e salientam as suas insuficiências: amostras erradas, respostas pouco sinceras, gente que já nem tem telefone fixo, gente que não abre a porta quando o inquérito é presencial, impossibilidade de medir a abstenção, falta de recursos das empresas de sondagens e por aí fora. Mas, e aqui reside o delírio destes especialistas, quem lhes manda continuar a basear as suas análises políticas (como ainda na noite das autárquicas se viu em relação às sondagens para as legislativas) nestas sondagens que afinal são de tão pouca valia, tão falíveis, decretando quem está “garantido”, quem “não tem hipóteses”, quem está “a crescer”, quem está “em queda”?
Para o delírio ser completo, consideram que estas opiniões não influenciam em nada quem os ouve e lê, como se em Portugal (e provavelmente em muitos outros países) não houvesse eleitores que avaliam a qualidade dos políticos pela sua capacidade de ganhar, que querem afastar os que parecem estar condenados a perder, que gostam de se colar a vencedores, que morrem de medo de estar associados a derrotados. Temia que um dia cairia na tentação de me citar a mim mesmo e esse dia vai ser hoje, transcrevendo um texto que escrevi na minha página no Facebook a 30 de Abril deste ano:
“Pós-graduações em conceituadas universidades europeias desabam perante 806 entrevistas telefónicas. Raposas felpudas do jornalismo político derretem com subidas ou quedas de 0,5%. Senadores do comentário empalidecem com margens de erro de 3,5%. Por cá, as sondagens são o alfa e o ómega da análise política. Para quem está bem nelas, tudo se justifica. Já para quem está mal, tudo é erro - quando se calam e quando falam -, tudo merece desprezo e troça. Claro que as interpretações das sondagens requerem bons actores, capazes de disfarçar a banalidade da “análise” – e, muitas vezes, a parcialidade – com ares de quem só eles conseguem compreender essa informação preciosa, essa explicação do mundo da política que partilham com “spin doctors” que no fundo invejam. Se as urnas vierem a desmentir as amostras, como tantas vezes se verifica, vamos em frente, nada acontece, ninguém perde a face, na próxima sondagem quem se lembrará? E a “opinião pública” dança ao som desta música porque, num país pequeno e pobre, apostar no cavalo errado é considerado sinal de pouca esperteza.”
quem compra sondagem indica o resultado
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ResponderEliminarSegundo a bitola que vários comentadores defendem nunca será possível dizer que uma sondagem falhou.
Deixaram de ser falsificáveis...
Yes Prime Minister
https://www.youtube.com/watch?v=G0ZZJXw4MTA
ResponderEliminarDuarte Calvão,
Um texto vago e vazio. Eu escrevo o que sinto e aceito que o Senhor faça o mesmo.
E termina em funeral com o FB.
Perdoe, se puder.
As sondagens podem ser de grande utilidade caso não sejam manipuladas por marginais...
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