
Eis que subitamente uma onda na praia subiu um pouco mais que o esperado, molhou os pezinhos e desinquietou algumas “celebridades” e “influencers” que logo se viram obrigadas a ir às redes sociais regurgitar a sua profunda ignorância disfarçada de indignação. Isto a propósito da leitura da Carta de São Paulo aos Efésios, lida na missa do Domingo passado (em todo o Mundo, não em especial para a RTP) e que algum espírito demasiado simples acidentalmente assistiu na transmissão e decidiu “denunciar”. De nada deve valer a pena tentar explicar a quem estiver de má-fé que o pequeno trecho está descontextualizado e a carta foi escrita há dois mil anos, sendo o seu conteúdo profundamente revolucionário ainda hoje em muitas culturas, quando equipara as responsabilidades dos dois elementos do casal na construção de uma família – oferecendo para esse fim o seu amor de forma gratuita: (…) “Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos. Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois uma só carne. Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja. Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido.” Ou ainda citando São Paulo numa Carta aos Gálatas: "Não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus."
Para ilustrar este texto escolhi uma fotografia do Pe. Giovanni Scalese que está desde 2004 em Kabul onde lidera a Missão Católica. À sua guarda tem o único templo católico do Afeganistão e uma comunidade maioritariamente composta por órfãos, viúvas e outros marginais do islamismo. Pediu para ficar, como faria São Paulo seguindo o exemplo de Cristo. Essas “celebridades” ainda querem interromper o seu "sunset" e discutir como o cristianismo na sua fundação respeitava as mulheres e o livre arbítrio das pessoas em geral, ou simplesmente o sinal de cupidez que representa a tentação do literalismo?
Não há como negar que existe uma diferença de linguagem na forma como é descrita/entendida a relação entre marido e mulher nesta passagem paulina (entre outras).
ResponderEliminarSim, é preciso contextualizar; sim, é preciso recordar o sistema de base patriarcal vigente na época da redacção da missiva; sim, é preciso comparar e contrapesar com outras passagens "revolucionárias".
Mas não se tente disfarçar o que é objectivamente dito, apodando de ignorantes os que se possam sentir incomodados perante tal proclamação. Quem dera fossem muitos os indignados, sobretudo dentro das comunidades de fé: seria um óptimo sinal.
Não é por acaso que alguns trechos bíblicos nunca são lidos nas celebrações litúrgicas; ou que a parte polémica do trecho em discussão tenha sido retirada do esquema normal dos casamentos.
ResponderEliminarPor azar dos Távoras, mais valera estar quieto.
Ainda não entendeu que nestes tempos se dá espaço escrito e de voz a animais?
Quando eu era miúdo contaram-me histórias do tempo em que os animais falavam.
Pelos vistos, esse tempo, regressou.
Lamentando, cumprimenta
revolucionário é como quem diz , pq , pelo menos , egípcios e celtas já davam esse lugar, ou melhor , à mulher , e sem sujeição ao marido...
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ResponderEliminarJust for kicks!
https://senzapagare.blogspot.com/2015/10/obrigacoes-dos-maridos-e-das-mulheres.html
Como se sabe, existem muitas pessoas famosas nas redes sociais que vivem de odios universais e que falam apenas do que vai incendiar as opiniões. No entanto não posso achar inoportuno o que foi lido. Tantas passagens boas para se ler nestes tempos.
ResponderEliminarGratidão eterna a D.Joao Távora!! Vale a pena lembrar que o mundo ainda não é uma república de bananas _ não há somente macacos no mundo....
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