quarta-feira, 25 de agosto de 2021

A propósito de São Paulo e as Mulheres

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"(...) Tenha-se em conta que Paulo se situa no contexto legal do direito familiar romano, que concedia melhores direitos às mulheres do que a maioria das culturas da época, mas que não deixava de pôr em relevo o papel do marido como “pater familias – pai de família”, como titular da família no seu conjunto e garantia dos direitos e deveres de cada um e o seu funcionamento relacional e social. Este quadro permaneceu nas gerações sucessivas, concretamente no direito português, até há pouco tempo. Paulo não põe em causa o direito romano, mas dá-lhe uma interpretação nova, à luz de Cristo, “Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo”, que Ele ama até dar por ela a vida.


O que causa “escândalo”, nos dias de hoje, é o conceito de “submissão” proposto à mulher. Não se trata, porém, de algo exclusivamente aplicada às mulheres, mas a todos. A leitura começa precisamente por dizer: “Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo.” Em Paulo, esta submissão não significa menor importância ou subserviência, mas o dar prioridade aos outros, como forma de atenção e cuidado; não centrar a vida e o pensar em si próprio, mas no amor que deve regular todo o relacionamento entre pessoas.


Paulo aplica este quadro jurídico-social à instituição familiar, como princípio da mútua atenção e cuidado, afirmando duas coisas. Em primeiro lugar, dê-se o devido cuidado e prioridade (submeta-se) à relação familiar que tem como representante social o marido, na sua relação com a esposa. Este princípio básico, que se aplica à mulher, mas igualmente aos outros membros da família, é completado com aquilo que o “pai de família” representa: o amor, antes de mais aplicado ao amor entre os esposos: “Maridos, amai as vossas esposas, como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela”.


Esta proposta, necessariamente complementar à que é dirigida à mulher, deve ser vista com duas perspetivas que aclaram todo o texto. Primeiramente, o “amor” e a “submissão” não se aplicam apenas a um dos esposos, mas são a lei básica do relacionamento humano, segundo o Evangelho: “Saberão todos que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros.” Em segundo lugar, a medida do amor é reportada a Cristo, que “amou a Igreja e Se entregou por ela”.


É à luz de Cristo que se entende a dimensão do amor, até à total entrega e ao dom da vida por aqueles que se ama. E é também essa a norma para a correta interpretação de qualquer autoridade, representatividade ou primazia. Não se trata de mandar submeter ou depreciar ninguém, mas de cuidar e dar prioridade no dom e no serviço do dia a dia. Na perspetiva de Jesus, bem presente em Paulo, a liderança é serviço e dom de si mesmo, pois Ele veio “não para ser servido, mas para servir e dar a vida”. O verdadeiro exemplo e medida de submissão e de serviço, como dom e amor, é o próprio Jesus, para os esposos e para qualquer outro membro da família e da Igreja.


Dito isto, pode-se dizer: então porque não se muda o texto, para que não se deem interpretações incorretas? A pergunta tem a sua razão de ser, mas é claro para a Igreja e para quem quiser interpretar textos e tradições com origem noutras culturas e noutros tempos: os textos não se mudam, mas educam-se os leitores a entendê-los e a atualizá-los. Por exemplo, não se mudam os versos épicos de Camões, porque não correspondem à mentalidade atual e até, em alguns casos, podem causar escândalo. Isso seria cair na arbitrariedade e na ditadura das modas e na imposição da cultura única. É por isso que se estuda Camões nas escolas, para que todos tenham acesso à beleza dos seus versos, dentro dos condicionalismos da sua época. (...)"


Ler aqui na integra a nota de esclarecimento da Conferência Episcopal Portuguesa a propósito da leitura de São Paulo sobre as mulheres

4 comentários:

  1. não sou crente, mas conheço a Bíblia
    ontem às 23 ouvi na tvi24 algumas barbaridades de uma gaja para quem a sua opinião é definitiva e o passado tem que ser alterado 
    na peida

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  2. Cada vez mais acredito que 80% dos portugueses são estúpidos.
    Isto é um dado global: médicos, advogados, políticos, polícias, religiosos, professores, etc.
    A CEP deveria ter estado quieta. Pensam que debitar patetices defende a sua religião.
    Não é assim: mais patetice, menos patetice, fica tudo na 'mêma' e oferece-se o olho e mais três vinténs a umas bestas e patetas para escrever bostas (palavra consagrada por um azul-escuro de seu nome bá).

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  3. O problema da Bíblia (e do Corão) é este: precisa de ser cuidadosamente (re)interpretada. Não deve ser tomada à letra.
    Neste sentido, a religião católica é correta: manda ler a Bíblia com cuidado e em doses muito pequenas, e com a leitura sempre devidamente acompanhada e explicada por um padre devidamente encartado para a (re)interpretar.

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  4. Mas para pôr fim à discussão, a Igreja vai acabar com as leituras do São Paulo a partir do próximo domingo.
    Parabéns.

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