quarta-feira, 14 de abril de 2021

Gelo fino

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Parece-me evidente que a comoção nacional da passada sexta-feira não teve expressão clara nos partidos do sistema. Ademais o silêncio de Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa quanto às questões levantadas pela decisão instrutória de Ivo Rosa é gritante. O respeito pela independência dos órgãos de soberania que não se dão ao respeito não explica tudo. Para mim que sou um conservador que preza instituições sólidas tudo isso parece-me um grave prenúncio. Que nos habituámos definitivamente a viver no pântano, ou o regime, incapaz de se olhar ao espelho, ameaça cair com estrondo um dia destes, incapaz ler o alarme da rua. Por agora ainda é possível a um antigo primeiro-ministro corrupto que enterrou o nosso país numa brutal crise financeira vir gozar com a cara de todos nós num canal de televisão – eu por pudor não vou assistir.


Caminhamos em gelo fino. Com uma dívida pública que fechou o ano de 2020 nos 133,7% do PIB de 274,1 mil milhões de euros,  com a economia confinada há mais de um ano, prenúncia-se de uma crise de proporções inimagináveis. Talvez seja tempo das oligarquias que se alimentam do regime parar para pensar. É que quando a crise chegar ao estômago dos portugueses não haverá geringonça que os salve nem causas fracturantes que os distraiam.

4 comentários:

  1. dizia-se no alentejo que Deus haja
    tudo se resolve com o pó de maio

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  2. Felizmente há liberdade de expressão e as pessoas ainda podem ir exprimir a sua opinião a um canal de televisão.


    Felizmente depois de todas as maldades (verdadeiras ou falsas) que sobre ele foram ditas em múltiplos canais de televisão, ele ainda pode ir contrariar essas maldades noutro canal.


    Felizmente que, tal como outros têm a liberdade de dizer que ele é corrupto, ele ainda tem a liberdade de clamar que não é.

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  3. Sempre ouvi dizer que aquilo que o pó de maio resolve são as frieiras, não é tudo... 

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  4. Gente inamovível não facilita a mudança. E como é preciso mudar!

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