sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Versar-com






Das diferentes formas de conversa (versar-com) distingo duas. Uma de preponderância mais narcísica, autocentrada, emocional, que tende para o monólogo e exige do interlocutor uma enorme humildade e apagamento, e outra que, sendo carregada de afecto, é feita de construção, uma ponte para o encontro.













Hoje mais do que nunca reconheço o valor de uma rara, boa e sã conversa. Descomprometida e desinteressada, sem constrangimentos mas com atenção ao outro. Que se disfruta com pessoas próximas, amigos especiais ou em raros estados de graça. Conversa cúmplice que simplesmente acontece, e não se encomenda. Com a qual resolvermos os verdadeiros problemas do mundo e da existência, principalmente a dos outros. Discutindo o tudo e o nada, um livro, um autor; recordando memórias, aventuras, gaffes ou anedotas, risos e gargalhadas. Zombando dos outros, da vida e de nós próprios. Até às lágrimas, até ao silêncio, até à próxima.

 

A boa conversa é prática rara e fidalga que só os espíritos livres e superiores podem alcançar. Sem pretensões, pelo simples prazer de se estar vivo e de nos reconhecermos uns dos outros.

 

(texto reeditado)






1 comentário:

  1. O Aristóteles também dizia que o homem era um animal social, mas a nova ordem mundial não quer isso.
    Estamos a ser formatados para obedecer cegamente e ai daquele que discorde.
    Somos condenados e punidos sem julgamento por crimes que não cometemos.
    Até quando teremos de suportar este terrorismo social, em que abraçar um amigo constitui um crime de contra ordenação?

    ResponderEliminar

No centenário da "Revolução Nacional"

  Em 1915, um obscuro periódico provinciano, " Os Ridículos ", preconizava acerca da República, que dizia encontrar-se « no seu es...