sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Uma entrevista a um médico sensato

(...) Era indiscutível: havendo um número grande de contactos entre agregados familiares e contactos mais prolongados, porque uma refeição de Natal demora mais tempo… As pessoas têm direito a fazer as escolhas delas, quiseram estar umas com as outras. Mas, mesmo que o aumento do risco fosse pequeno, como houve muitos encontros destes, naturalmente que ia haver maior possibilidade de ocorrência de infecções. O que estamos a ver desse ponto de vista é absolutamente esperado. Não é aceitável nem moralmente, nem eticamente, não é decente dizermos que isto é culpa das pessoas. As pessoas têm de viver. O que é mais dramático e inaceitável é criarmos esta ideia de que isto foi culpa das pessoas que não ficaram sozinhas em casa. E foram visitar o pai, o velho tio ou um irmão doente ou um amigo. Fizeram-no, porque são seres humanos e tenho a certeza de que a imensa maioria teve a preocupação de se defender a si e aos outros. É evidente que, depois, há uma espécie de caricaturas, umas imagens de gente muito jovem que se considera imortal, mas não é isso que é responsável pela infecção.


A ler a esta lumisosa entrevista a Henrique de Barros, e mostrem-na ao Miguel Pinheiro do Observador

2 comentários:


  1. Não é aceitável nem moralmente, nem eticamente, não é decente dizermos que isto é culpa das pessoas. As pessoas têm de viver.


    A mim parece-me completamente aceitável moralmente afirmar que é culpa das pessoas. As pessoas não têm que viver; querem viver. Uma coisa é as pessoas terem que fazer coisas para ganhar a vida, outra muito diferente é quererem fazer coisas por motivos culturais ou similares. Ninguém precisa de comemorar o Natal, ou então, comemorando-o, não precisa de o fazer através de longas refeições com muita companhia; fá-lo porque quer e porque está habituado a fazê-lo e não deseja prescindir desse hábito.

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  2. Eu conheço uma mulher que vive e trabalha em Lisboa mas que é de Trás-os-Montes, onde os pais idosos residem. Esteve a tencionar ir visitá-los na Páscoa mas, por causa de temer contaminá-los com o vírus, adiou para o Natal. Agora no Natal, voltou a adiar - diz que seria irresponsável ir colocar os seus pais idosos em risco.
    Essa mulher tem que viver, e os pais dela também têm que viver. E, de facto, todos eles continuam a viver.

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