sábado, 26 de dezembro de 2020

Isto dito por um socialista republicano...

(...) É cada vez mais difícil preencher decentemente os cargos políticos, do topo à base, ou de prover os altos cargos públicos administrativos. Salários demagógicos, funções desprestigiadas, responsabilidades sem recursos, escrutínio devasso, lapidação certa — sem proveito, nem honra, nem glória. O regime não definha por falta de quem queira alçar-se às suas desconsideradas magistraturas: definha pela deserção dos que efetivamente lhes fazem falta. Os que deviam ser representantes preferem ser representados.
Joseph de Maistre, reacionário bilioso e inspirado, refocilava de gozo com o sistema representativo. Dizia que era este uma maravilha de espantar: incapaz de mobilizar os mais aptos para servir, o sistema bastava-se com a promessa de que todos os franceses poderiam ser representantes e não apenas representados, em suaves ciclos de 60 mil anos.
Estamos a dar razão ao grande advogado do antigo regime: o sistema renova-se, mas renova-se para baixo, nunca para cima.


Sérgio Sousa Pinto no Expresso


 

3 comentários:

  1. Hoje, sábado, pelas 15h, ouvi a repetição do "Governo Sombra" de ontem.
    Tinha como convidado Sérgio Sousa Pinto e no programa fez-se uma espécie de balanço do ano. Valeu muito a pena.
    Tive assim ocasião de apreciar mais uma das suas intervenções. 
    E foi uma notável prestação a deste homem que se guia por valores  _ e não por calculismos obscuros _ que tem a coragem de estar em "contramão", livre de submissões. Admiro este homem destemido e íntegro que obedece unicamente à sua consciência, qualidade tão rara hoje. Na vida política são poucos os homens assim, intactos e inteiros, que procuram estar do lado Certo e Justo.
    Houvesse muitos assim na vida política e seríamos um país muito diferente.


    Considerado uma espécie de carta fora do baralho, uma voz  incómoda e crítica da sua área política, fica-se esclarecido sobre o estado actual do PS.



    LS

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  2. A degradação crescente e sistemática das personalidades que sucessivamente vão surgindo no mando por cá, é fruto da aflitiva degradação da Escola Oficial, a todos os níveis, desde 25 de Abril de 1974.
    A Sociedade portuguesa, em geral, menospreza ou ignora o crime que se está a cometer no ensino:
    - Qualidade dos programas.
    - Qualidade dos professores.
    - Tempo dedicado à leccionação.
    - Ideologias antipatrióticas.
    - Maus exemplos.
    - Indisciplina e desrespeito pelos valores maiores duma Sociedade sã.
    Só podemos esperar o pior.
    Maus programas e maus professores só produzirão maus alunos que no futuro, alguns virão a ser professores, numa degradação exponencial.
    O agricultor quando faz um alfobre escolhe dele sempre as melhores plantas para as suas plantações e dispensa as raquíticas. A Escola devia ser um grande alfobre de Homens e Mulheres e não de gente raquítica, como acontece agora. 

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  3. Isto é a gozar...Portugal é dos países onde o funcionalismo publico tem mais vantagens sobre o privado.

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