Para lá das subtis ressonâncias de disputas internas que este artigo releva de dentro da selecta bolha liberal-conservadora que conheço bem (alguns dos subescritores são meus amigos), o que sobra deste "manifesto" é o palco que dá ao Chega (não se fala de outra coisa) e o serviço que prestam à oligarquia socialista que começa a acreditar que poderá perpetuar-se no poder. Mesmo a tão virtuosos democratas ficava-lhes bem um bocadinho de humildade.
Adenda:
A este propósito, transcrevo a opinião cristalina do João Gonçalves publicada no Facebook:
É preciso situar graficamente este texto no jornal. Está imediatamente ao lado de uma página cujo título é “acordo com o Chega é para toda a legislatura”, uma referência aos Açores. Depois, convém situá-lo politicamente. Eu saúdo-o. Porque vem simplificar o seguinte. Há no corpo político, orgânico e inorgânico, da Direita, ou seja, do que começa no PSD para lá, duas “doutrinas” como se diz no Direito. A primeira, representada, entre outros, pelos plumitivos desta prosa, “pensa” como o dr. Costa. Há “linhas”, “cercas”, “pilaretes” etc. que a Direita “mainstream” deve colocar entre ela a outras Direitas, uma amálgama que vai desde os “populistas” aos “iliberais” e aos ominosos “trumpistas”, por exemplo, para impedir que a Direita “virtuosa” seja contaminada pelas outras. São os herdeiros espirituais dos que, no PPD de 1979, não queriam a AD por temerem ser muito “reaccionária”. No entender desta Direita, pode conviver-se com as Esquerdas porque, apesar de Esquerdas, são “nossas”. E as Esquerdas, em geral, retribuem-lhe com idêntico carinho: “são direitolas fixes, dos nossos, que podemos tratar por tu, nas tvs, nos jornais, nos cafés, nos nossos escritórios colectivos”. A segunda Direita, por enquanto “de segunda”, não “chique a valer” como a primeira, valoriza o voto popular de outra maneira. Se o voto determinou a eleição de representantes de outras Direitas, então a Direita tem o dever politico e moral de pelo menos falar toda entre si antes de alguma dela se ir aninhar num edredão já cheio de outra gente, a saber, “deles”. É que para esta Direita - na qual me situo- há um “eles” e um “nossos” que não se confundem. O que aconteceu nos Açores é tão legítimo e, em certo sentido, lógico que até o dr. Costa anuiu, dizendo, e bem, que com ele não. Pois claro que não. Ele tem noção que os “dele” não são os “nossos”, coisa que nos “nossos” não é tão fácil de entender. A respeitabilidade democrática vem do voto popular, não vem de sermos muito amiguinhos uns dos outros e de partilharmos os mesmos gostos, gracinhas e fofuras. A política separa para unir mais à frente quem deve unir nas respectivas diferenças. O que se passou nos Açores foi um lance de inteligência política da Direita toda, e nada muda nos diversos “campos” dela. Sem uma autoridade política indisputável como em 2011-2015, a Direita ou é toda ou não é nada. O resto são conversas de chacha para “eles” aplaudirem.
Desta Santa Úrsula que não se viam tantas virgens mártires.
ResponderEliminarGosto de ler estas contradições.
ResponderEliminarNa América os trumpistas são uns malandros, no Brasil o Bolsonaro nem querem ouvir falar, cá é o Ventura que é populista.
Mas nos Açores o populista já serve para ir ao tacho.
As pessoas são engraçadas, alimentam o populismo, criam o monstro, e depois ai que del rei ninguém o segura.
ResponderEliminareste "manifesto" (https://www.publico.pt/2020/11/10/politica/opiniao/clareza-defendemos-1938518)
Mas que raio de manifesto é este, que aparece numa página só disponível para assinantes de um determinado jornal?
Um manifesto a sério, genuíno, é aberto - quer-se lido e divulgado por todos! Não é uma coisa que só fica disponível para quem pagar para o ler!
Ainda para mais na era da internet - não se compreende um "manifesto" pelo qual se tem que pagar!
Apoiado.
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ResponderEliminarA opinião do João Gonçalves é de facto cristalina. Para ele, há os "nossos", que incluem tudo aquilo que ele denomina "direita", e há os "eles", a esquerda. E para ele, claramente, o Chega! faz parte dos "nossos" enquanto que o PS faz parte do "eles". Ou seja, de forma cristalina, o João Gonçalves diz que está mais próximo do Chega! do que do PS, uma vez que está disposto a fazer alianças com o Chega! mas não com o PS. É tudo uma questão de "votos", claro - se o Chega! não tiver muitos deputados, o João Gonçalves considerará que os votos não o mandataram para se aliar com ele, mas se tiver muitos deputados, então claramente o João Gonçalves sentirá que tem a obrigação de negociar com o Chega! - mas não com "eles", não com a esquerda, isso nunca, mesmo que ela até tenha muitos votos.
Cristalino, de facto. O mundo partido em duas partes, e só duas: a "direita" e a outra. E, dentro da "direita", negocia-se com seja quem fôr, desde que tenha "votos".
Alimentem o Ventura e depois admirem-se que a esquerda cada vez tenha mais votos.
ResponderEliminarO homem, onde é que você tem andado desde Outubro de 2015?
ResponderEliminarTanta ingenuidade! então mas não é pelo poder que lutam os partidos? Ou acha que aquilo é um passatempo de jogos florais, com animação e quermesses?
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ResponderEliminarA propósito do Chega! lembrei-me:
Conhece certamente a célebre frase de Roosevelt a propósito do Presidente Somoza da Nicarágua. Embora não morresse de amores por este ditador suportava-o e até o apoiava por ser um baluarte anti-comunista. Então parece que Roosvelt terá dito: " Somoza pode ser um f.da p. mas é o "nosso" f.dap. ".
Portanto, bem podem os "eles" dar as voltas que quiserem, o Chega é um "nossos". Finalmente a Direita "toda" percebeu que ou é TODA uma, ou não é nada. Só peca por ter sido tarde, perdendo demasiado tempo com purismos e preciosismos.
Frase certeira: "O que se passou nos Açores foi um lance de inteligência política da Direita toda".
Compreendemos demasiado bem as grandes aflições do PS e de todos os "deles". Lamento, mas não são "nossos".
Balio, fixe estes números : 7 e 10
ResponderEliminarSabe o que são? Provavelmente o número de deputados que o Chega atingirá.
É por isso que está aflito, não é, seu maroto?
Tão espertinhos V. e os seus amigos! Com que então "um cordão sanitário", não era?
João Távora, esteve renitente, bem sei, (também eu já passei essa fase há muito tempo) mas, bem vindo à realidade!
ResponderEliminarSó há uma escolha: ou não rendição ou prestar serviço à oligarquia socialista (como o fazem os subscritores do Manifesto).
ResponderEliminarNão falei em, nem propus qualquer cordão sanitário, nem ao Chega! nem a nenhum outro partido.
Considero perfeitamente legítimo que o PSD ou qualquer outro partido se alie ao Chega! para objetivos concretos e claros.
Não leia no meu comentário aquilo que nele não está escrito.
Menos os dos eleitores ex-PCP que votam no Ventura, naturalmente.
ResponderEliminarAgora só falta entrarem na Madeira. Aqui já eu conheço um que é muito mais nasi que o falecido, Deus o tenha, o Hitler!
ResponderEliminarA coligação aqui var ser canja!
Deus Nosso Senhor nos livre de nasis e falsos profetas. Deus nos conserve á margem desta boçalidade - Amén!