sábado, 5 de setembro de 2020

Eu, 'familista' me confesso

deus patria e família.jpg


Um tipo de que eu nunca tinha ouvido falar, num artigo publicado no Expresso (que às vezes mais parece o órgão oficial do regime) acusa o manifesto “Em defesa da liberdade de educação” de pretender “o regresso dos dogmas bafientos, 'familistas' (!) e anti-liberdade que ainda são herança do Estado Novo”. Apesar de o autor esgrimir insultos no lugar de argumentos, eu vou tentar explicar porque é que ele está errado.  


Parece-me cristalino que no nosso sistema de ensino centralista há disciplinas mais atreitas a manipulação ideológica pelo Estado do que outras, e conhecendo-se o seu curriculum, a de “Educação para a Cidadania e o Desenvolvimento” é a mais paradigmática nesse duvidoso préstimo. Talvez a maioria das pessoas nos dias de hoje não se lembre que durante o Estado Novo nas salas de aulas do “ensino oficial” público (que eu frequentei desde a primária) não havia qualquer pudor na doutrinação das crianças, mesmo em idade precoce: os manuais estão aí em reedições saudosistas para quem duvidar do que eu digo. Por isso tenho dificuldade em compreender os meus amigos que me afiançam que há que conceder o benefício da dúvida à doutrina de agora porque é do “lado certo”, tanto mais que também tenho bons amigos que reclamam que era a educação de antigamente que incutia os bons valores civilizacionais. Em sua homenagem convém aqui recordar o meu saudoso Pai, que por mais que uma vez, no seu modo truculento, antes e depois do 25 de Abril deu o peito às balas pelos seus filhos confrontando os nossos professores a propósito de afirmações e matérias que ele considerava ultrapassarem as competências da escola.


Não sendo possível eliminar totalmente o risco de doutrinação pela escola, restam-nos duas hipóteses: a dos pais escolherem para a sua criança um colégio alinhado com os seus princípios éticos e morais, uma opção só acessível a umas poucas famílias privilegiadas; ou a conceção da opção de "Objecção de Consciência" para a disciplina de “Educação para a Cidadania e o Desenvolvimento” como é defendido no referido manifesto - coisa que seria sempre uma esmolinha em favor da Liberdade. Quanto aos restantes conteúdos das chamadas "Ciências Sociais",  e porque a família é de facto a célula base duma sociedade saudável, e resta a possibilidade dos pais os confrontarem e debatê-los em casa com os filhos, em plena liberdade. Esse sim é um dever cívico inalienável, na defesa duma comunidade plural, em que convivam diferentes ideias e sensibilidades. Porque como já todos devíamos saber, muitos dos nossos costumes e valores hoje na moda serão no futuro consideradas bárbaros ou anacrónicos. Esperemos que não se dê esse caso com a Liberdade, que não podemos desistir de defender.

10 comentários:

  1. Espero que também sejam consideradas para efeito de objeção de consciencia  as disciplinas de geografia por marginalisar  a teoria da terra plana  e a física (astronomia) e a biologia pois não consideram a visão bíblica.

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  2. Caríssimo, em que planeta vive???
    Ou então deve andar com companhias muito estranhas...

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  3. Os terraplanistas poderão ser muito estranhos mas isso não significa que não existam. 
    E alguns até poderão ter filhos.

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  4. Pois! E se fossem à terra do meus Avós, levavam-nos a dar um passeio para apanharem gambuzinos.

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  5. Reconheço-me em quase tudo quanto escreve. Adaptamo-nos aos tempos e fazemos algumas cedências. Na verdade bastantes, que não há outro remédio. Mas sinto que este lugar não é para mim. São mundos incompatíveis e inconciliáveis, onde não me revejo. E por aqui me fico.
     
    Agora a sociedade portuguesa, João Távora, que se prepare, pois bem pode começar já a ter uma pálida ideia do que é a força bruta dos regimes opressores e totalitários. Sim, por enquanto ainda só é uma percepção, um  vislumbre, que a procissão ainda vai no adro (uma pequena provocação aos  polícias da linguagem). Mas já se consegue distinguir bem que estamos diante de um governo autoritário, abusivo, que segue aquela fórmula muito pouco democrática "manda quem pode" e todos obedecem, impondo literalmente a "lei do mais forte". Vejamos: Não são permitidas ideias diferentes, pois a ortodoxia  não aceita nenhuma divergência e, consequentemente, qualquer  debate é impensável e por isso liminarmente rejeitado. 
    Utilizam-se métodos  persecutórios através dos "canais" próprios, com serventuários à disposição, muito dedicados e atenciosos com o poder. Os sempre-prontos. Em contrapartida, os mesmos, numa atitude  intimidatória  através dos insultos ofensivos, ridicularizam as convicções pessoais de quem é diferente e, sem contemplações, esmagam qualquer pretensão de quem "ousa" não alinhar com o pensamento dominante, ainda mais tendo o atrevimento de o expressar(!)  Esta gente reprime  e silencia quem vem importunar os seus esquemas mentais e os seus planos e  incomoda-os aquelas propostas "bafientas"  e "soluçõezinhas" alternativas, cheias de consensos e equilíbrios tão fora de moda. Escolhem muito selectivamente as suas minorias e negam a outras o Direito à Cidade, aquele que não rejeita ninguém e permite acesso ao Bem Comum que nunca exclui.
     Caminha-se para uma distopia orwelliana onde uns são ais iguais que outros.
    RSampaio

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  6. Um jihadista da madrassa do Ai-a Tola Boaventura.
    O melhor é não ligar muito a isso.
    O Júlio de Matos tem internados gente com mais juízo.

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  7. Esta omnipresença do Estado na vida das pessoas é tão avassaladora que cilindra  toda e qualquer opinião livre como NÃO é próprio de uma Democracia saudável. 

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  8. Em Democracia, os governantes colocam-se ao serviço dos cidadãos, com igual disponibilidade  para todos, por igual. É uma espécie de contrato social que gera confiança  entre governantes e cidadãos.

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  9. João Távora... ou andas a dormir desde o 25 de Abril de 1974 ou não sei não!


    num artigo publicado no Expresso (https://expresso.pt/sociedade/2020-09-04-Este-manifesto-pretende-o-regresso-dos-dogmas-bafientos-familistas-e-anti-liberdade-que-ainda-sao-heranca-do-Estado-Novo/?fbclid=IwAR1j3qhwtoC9re4kbVbalKiD5-gYy_LHuMYAcW56Ym7mxvqhAozb7phvFNQ) (que às vezes mais parece o órgão oficial do regime)



    NÃO PARECE... É!



    Quem é o dono? O Pinto Bilderberg Balsemão, é, juntamente com outras Famílias, os Verdadeiros DONOS do regime que a populaça apelida de "democracia" só porque está AUTORIZADA a fazer umas cruzes numas folhas de papel de x em x tempo...

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  10. A grande, a primeira  e a mais completa escola onde se estuda é a nossa casa ;
    a formação e educação que os nossos nos transmitem. Depois  desses alicerces, qualquer escola dá- publica ou privada, com esta ou aquela disciplina, já não vem mudar nada na personalidade de cada um. Só precisamos de prestar atenção á matemática , ás línguas, á geografia e ciências e pouco mais, só para obter o "canudo" para o emprego. 

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