
Marcelo cola-se a António Costa porque António Costa é popular. Se não fosse, não se colava. Não percebo porque se perde tanto tempo a analisar as evidências do nosso lindo e original sistema semi-presidencial, que prevê eleições directas para a presidente da República. Parece que na minha área política, as melhores cabeças se ocupam em arranjar um candidato alternativo, alguém que nos venha vingar das derrotas nas urnas nas eleições legislativas. A “dupla legitimidade” do voto no seu esplendor, o país que se lixe. Outros apostam em fortalecer Marcelo para ele combater São Bento a partir de Belém num segundo mandato redentor. E o país que se entretenha a assistir, deliciado, a quem melhor esgrime o florete no duelo.
Eu compreendo perfeitamente que nem todos consigam ser monárquicos – foram demasiadas aulas a mostrar os sentidos em que a História progride, demasiado filmes e séries de Hollywood -, mas ao menos os republicanos podiam parar um pouco para pensar se, depois de 44 anos (quarenta e quatro anos) de semi-presidencialismo, não seria melhor adoptarmos um sistema parlamentar, com eleições indirectas para presidente, como, por exemplo, acontece na Alemanha ou Itália. Ou então que se presidencialize o regime de uma vez, como se fez em França.
Não percebo como gente inteligente e que ainda tem esperanças no futuro do país, não tire nenhuma ilação do que aconteceu nas eleições presidenciais da nossa III República. O resumo é rápido de fazer: Eanes, hoje santificado pela nossa proverbial falta de memória, fez a vida negra aos primeiros-ministros eleitos, Soares e Sá Carneiro, e acabou a patrocinar a partir de Belém um partido inspirado na sua figura. Soares apoiou Cavaco no primeiro mandato - desiludindo o PS, despachando Vítor Constâncio e acabando com o partido de Eanes – e fez tudo para o derrubar no segundo. Sampaio colaborou activamente no descalabro guterrista, dissolveu a maioria absoluta de Santana, lançou Sócrates. Cavaco - o primeiro presidente de direita, que ia finalmente mostrar as virtudes do semi-presidencialismo português – deixou Sócrates à solta no primeiro mandato, foi impotente para contê-lo no segundo, quando o desvario já era evidente, e acabou por não conseguir impedir a geringonça. Marcelo é o que se vê. Acham, realmente, que agora é vai aparecer alguém que vai mostrar as grandes vantagens nosso ridículo e medíocre semi-presidencialismo?
ResponderEliminarExacto. E prior, o presente sistema eleitoral em Portugal atribui poder político -legislativo e executivo- sem que os titulares de esses poderes, os partidos, tenham que dar satisfações pela forma como exercem, esses poderes, e sem que possam oportunamente ser sancionados pelo eleitor.
(Os PRs são, constitucionalmente, apenas uns instáveis e politicamente impotentes "Rainha de Inglaterra")
Mais de metada do eleitorado já assumiu, consequentemente, a inutilidade do acto de votar nas ditas "legislativas".
Na AR apenas se assiste ao deprimente espetáculo de ver políticos a exibir o seu intocável poder, sem que tenham que dar, consequentemente, satisfações nem sequer à (dita) oposição, muito menos ao eleitor.
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ResponderEliminarQuais são os objectivos de todos os presidentes desta "piolheira", há mais de quatro décadas e meia:
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ResponderEliminarAcho que esta do semi-presidencialismo é como a democracia que "é o pior sistema político à exclusão de todos os outros". E já agora porque não como nos Estados Unidos onde um colégio eleitoral escolhe o presidente? E veja-se o resultado!~
ResponderEliminarOu seja, qualquer sistema pode dar "bronca" quando os eleitores não se dão ao trabalho de escolher ou não pensam bem quem escolhem.
seria melhor adoptarmos um sistema parlamentar, com eleições indirectas para presidente, como, por exemplo, acontece na Alemanha ou Itália
ResponderEliminarNão. O nosso sistema é semelhante ao austríaco, e tem bons argumentos para o defender. Nomeadamente, o presidente tem a liberdade de, quando o sistema está bloqueado, dissolver a Assembleia e convocar novas eleições. Ainda há pouco tempo o presidente austríaco fez isso. Em Portugal, já foi feito duas vezes (por Mário Soares e por Jorge Sampaio), e em ambos os casos o povo deu razão ao presidente que assim atuou.
Num sistema parlamentar puro, não há forma de o parlamento se autodissolver e dar a voz ao povo quando tal é necessário. No nosso sistema, há.
É bastante curiosa a valorização que se faz de uma eleição que nunca existiu ("fez a vida negra aos primeiro-ministros eleitos" - importa-se de repetir?) e a desvalorização das eleições que efectivamente acontecem (eleição directa e por maioria simples do presidente da república). Quanto ao elogio velado da monarquia, não vejo como se pode compaginar um regime assente na hereditariedade com a meritocracia tão defendida por aí.
ResponderEliminaressa do " ridiculo e mediocre " é coisa do outro mundo...
ResponderEliminarMesmo que seja assim, que interessa ?! Se é semi ou inteiro ou assim assim, seguramente nao interessa á populaçao
Populaçao que sabiamente diz : para melhor esta bem , para pior já basta assim
Mas diz mais : eles qiuerem é poleiro.
Portanto o pais nem esta á espera, nem deseja, que apareça outro palhaço.
Como sabemos o semi presidencialismo foi adoptado para evitar a permanente instabilidade da 1* República com governos que chegaram a durar um só dia e conduziu à bancarrota TOTAL. ..convém lembrar as verdades históricas por mais que duras que sejam...
ResponderEliminarNinguém emprestava dinheiro a Portugal. ..nem a sociedade das Nações. .ONU infantil. ..
Alguém ensine esta fase da história ao Pedro Nuno Santos que ameaçou. ..looool ..lançar a bomba atômica sobre os bancos alemães e nao pagar....ou seja ninguém mais nos emprestava uns euros. .ou só com juros altíssimos. ..lá por ter um maseratti..nao significa que tenha cérebro. .
Antes da revisão de 1982 que acabou com o cancro do Conselho da revolução o PR tinha muitos mais poderes. .os desastrosos governos eanistas obrigaram a cortar essas veleidades. .
Eanes foi sem dúvida um PR pouco cumpridor da constituição. ..talvez para fazer lembrar o papel no 25 novembro e as primeiras presidenciais em que a extrema esquerda PCP. UDP..BE e muitos MFAs ainda sonhavam implantar a FOME miséria fuzilamentos tipo Cuba. ..
A eleição indireta seria prejudicial porque obrigava a acordos nas costas do POVO. .e podíamos levar com péssimos PRs reféns ainda mais das negociatas partidárias. .
Só um pequeno pormenor. ..
Sem Cavaco em Belém de certeza que teríamos bancarrota socrática em 2011...
Foi a sua influência de bastidores nomeadamente apoio ao ministro das finanças contra a aberração das grandes obras públicas num manifesto de 200 economistas loool de apoio a Sócrates quando já nem havia dinheiro para a função pública. ..isto o que se sabe...porque com certeza as reuniões das 5as feiras cortaram muito mais ideias corruptas e doidas ao Sócrates. .