terça-feira, 14 de abril de 2020

Estado de sítio (19)

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Coronavírus hoje em Portugal – 17.448 casos, 567 vítimas mortais


Depois de Sábado à noite termos assistido em família à comovente Vigília Pascal na Basílica de São Pedro no Vaticano (por estes dias a minha paróquia), no Domingo de Páscoa celebrámos a ressurreição do Senhor com um almoço de festa a valer. Todos os confinados vestidos a rigor, toalha de linho, loiça bonita, ementa criteriosa. Por escolha democrática o prato principal foi um divino bacalhau espiritual feito pela minha mulher, regado com um competentíssimo vinho branco do Douro escolhido por mim; e no final, para acompanhar uns deliciosos suspiros feitos pela miúda mais nova, abrimos uma digníssima garrafa de Vintage Borges de 1988. Durante o dia recebemos e fizemos muitos telefonemas de congratulações e dessa forma disfarçámos as saudades dos ausentes.

Hoje terça-feira começaram as aulas virtuais em horários definidos para o miúdo pequeno, que vão exigir muita paciência e empenho aos seus pais. Deus nos ajude.


Confirmado pelo boletim da DGS de hoje, os números da pandemia em Portugal continuam muito positivos, os internamentos e a taxa de mortalidade aparentam estar sobre controlo, e como bem referia ontem a ministra da saúde, o SNS tem estado a dar boa resposta à crise sanitária. Perante estes factos, e contando com a capacidade do exército em fornecer tendas e camas, a mais ninguém parece estranho que se estejam a fazer peditórios para montar hospitais de campanha?

Mais interessante que a entrevista desta manhã do Observador a António Costa, que pouco disse de novo a não ser recomendar-nos a reserva de férias balneares em Portugal (resta saber quantos portugueses terão condições económicas para isso), foram as análises dos comentadores. O bajulador do Bernardo Ferrão estava lá como convidado para contrastar, e bem pode reclamar uma avença ao governo.

Pela minha parte nesta altura confesso-me pouco preocupado com as férias, mas antes com o meu trabalho que já deveria estar a recuperar os níveis normais, passada a crise de adaptação dos nossos clientes ao teletrabalho. E incomoda-me de sobremaneira a leviandade com que no espaço público se fala do problema dos mais velhos e frágeis, isolados em suas casas ou em lares, que parecem condenados por muitos meses a um cruel abandono. Pergunto-me se com isso não os estamos a sentenciar a uma morte lenta por melancolia e depressão.

5 comentários:

  1. O que Costa deveria ter feito, era abrir as escolas, prolongar o período escolar até fim de Agosto, ou mesmo Setembro. 
    Não há férias para ninguém (estão há 4 semanas sem fazer nenhum) e arrancar com a economia o mais rápidamente possível.
    Apetrechar o SNS com equipamento e pessoal para dar resposta ao C19 e sobretudo aos doentes com outras patologias até agora esquecidas.
    Haverá tempo para gozar férias (quem puder).
    E não diga que os "idosos" têm que continuar "Guetizados" até ao fim do ano ou outra data qualquer. Faz ideia o que será falecerem sem se despedir com um abraço, um beijo, ou um aperto de mão dos filhos e netos? Quantos irão morrer nestas condições. Acha que é aceitável? 

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  2. Certamente não reparou no seguinte:
    O número de internados foi crescendo (exponencialmente, com um período de duplicação de 4,6 dias) até ao dia 3 de Abril. Por essa altura, houve instruções do Min da Saúde (ou da DGS) para limitar os internamentos, devendo os restantes doentes recuperar em casa. De facto, após três dias de transição, o número de internados ficou praticamente constante (entre1100 e 1200).
    Como não é crível que a doença tenha bruscamente deixado de ter tantas complicações graves, só se compreende a limitação pelo facto de se estar a atingir o limite da capacidade de internamento e o Min da Saúde querer evitar que se tornasse evidente, flagrante, o colapso do SNS.
    Não quero comentar o facto de a senhora Min da Saúde ter dito que o SNS está a dar boa resposta. Apenas não posso deixar de pensar que as "autoridades" se preocupam em primeiro lugar com a sua própria imagem.
    Se houvesse honestidade na comunicação com o País evitar-se-ia, entre outras coisas, a sua perplexidade com os peditórios para hospitais de campanha.

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  3. Discordo do que tem sido chamado confinamento dos lares de idosos.
    Os idosos estão, como já estavam antes da Covid-19, enclausurados nos lares. Mas não há confinamento dos lares, como não há confinamento dos hospitais não-Covid; quem trata dos utentes tem que entrar e sair e é por essa via que a infecção se transmite ao interior dos lares (e dos hospitais).

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  4. os números da pandemia em Portugal continuam muito positivos, os internamentos e a taxa de mortalidade aparentam estar sobre controlo, e como bem referia ontem a ministra da saúde, o SNS tem estado a dar boa resposta à crise sanitária. Perante estes factos

    Eu diria que, "perante estes factos" nos cabe perguntar porque é que o governo não decide aligeirar o estado de emergência, restituindo-nos algumas das nossas liberdades.

    Refiro-me em particular a permitir a reabertura de todo o comércio e serviços, possivelmente com algumas restrições.

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  5. alívio para a segurança xuxial

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