(...) Produzo com a minha família boa parte da minha própria comida. Faço a minha vida familiar a pé. Tento limitar o meu turismo e critico a economia assente no turismo. Sou ecologista porque sou conservador, porque sou católico, porque defendo um modo de vida austero. É moralmente errado profanar a natureza sem propósito. É fútil usarmos motores de combustão quando temos a inteligência para criar tecnologias mais limpas. Pois bem, ser ecologista é uma coisa, ser apocalíptico e usar o “ambiente” para calar a liberdade dos outros é outra coisa completamente diferente. E, de facto, o “ambientalismo” da moda é negro e punitivo como uma seita. Procura induzir comportamentos nas pessoas através do medo (o apocalipse) e não através do algo intrinsecamente bom (o amor pela Criação). Nesta atmosfera inquisitorial, a dissidência minoritária, a base da liberdade de pensamento, é diabolizada. Eu não sei se os cientistas minoritários que negam a tese do aquecimento antropocêntrico têm ou não razão, mas sei que quero ouvi-los em nome da liberdade. As vozes heterodoxas não podem ser caladas, sobretudo quando elas negam algo que nos parece óbvio. Eu quero uma sociedade sem o ruído e sem o fumo do motor de combustão, mas isso não me retira a vontade de ler e ouvir as teses que dizem que o motor de combustão não é um Lúcifer mecanizado. Até porque os meus hábitos ecologistas não dependem da ciência, dependem da moral. Com ou sem degelo, com ou sem ciência, eu continuarei a fazer a minha vida a pé e a produzir a minha própria comida, porque essa é a forma certa de viver em harmonia com a Criação.
A ler Henrique Raposo hoje no Expresso
Produzo com a minha família boa parte da minha própria comida.
ResponderEliminarEsta frase surpreende-me porque, numa outra crónica, salvo erro na semana anterior, o mesmo Henrique Raposo escreveu que não queria sacrificar a sua mulher nem as suas filhas e portanto admitia que na casa dele se consumissem refeições pré-cozinhadas, que eram compradas em embalagens de plástico. Ou, pelo menos, foi assim que eu entendi o texto dele.
Temos portanto um "ecologista" que, por um lado produz grande parte daquilo que come, por outro lado compra pré-cozinhado e pré-embalado grande parte daquilo que come. A bota não bate com a perdigota...
Sou ecologista porque sou conservador, porque sou católico, porque defendo um modo de vida austero.
ResponderEliminarO problema é que o catolicismo, tal como aliás muitas outras religiões, é pau para toda a obra. Há ecologistas católicos, tal como há anti-ecologistas católicos.
Foi Santo Agostinho quem disse "Ama a Deus e faz o que quiseres". Portanto, um tipo, desde que ame a Deus, tanto pode ser ecologista como ser anti-ecologista, e fazer seja o que fôr em paz de consciência.
Para o Henrique Raposo, ser católico implica ser ecologista. Mas há muitos outros excelentes católicos que discordam.
Eu sei de um católico que é capaz de regar a sua árvore preferida com ácido sulfúrico , todos os dias, com medo que ela lhe faça sombra..., e o incomode. É um católico que apregoa a ecologia. Falso como Judas. Mas fala muito de mansinho, parece um anjinho puro.
ResponderEliminarJesus Cristo em 12 apóstolos teve logo um traidor, nada de novo. Mas acho que o anónimo ia surpreender-se se soubesse a quantidade de ecologistas capazes de fazer isso e bem pior.
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