“Os Anjos Bons da Nossa Natureza” (Steven Pinker) defende que nós, seres humanos do início do século XXI, somos felizardos, porque vivemos no período da história humana menos violento da História. E tem razão. Historicamente, o nosso tempo é o mais tranquilo da História. Problema? A maioria das pessoas, quando confrontada com este facto, franze o nariz. Não acredita. Da mesma forma que não quer acreditar que vivemos no período histórico mais pacífico da História, a maioria das pessoas não quer acreditar que também vivemos num período marcado pela diminuição assombrosa da pobreza. Não é por acaso que África é neste momento o continente que mais luta pela ‘globalização’.
Armadas com os seus tweets e facebooks tribais, as pessoas não querem saber e recusam saber, e, nesse sentido, estão destinadas a destruir os pilares que nos deram a paz e a prosperidade das últimas décadas: a ordem liberal internacional (as alianças militares e económicas entre as democracias; outros organismos multilaterais) e a globalização (o livre comércio). As tribos da esquerda sempre atacaram o segundo pilar, as tribos da direita estão neste momento a atacar o primeiro. Esta destruição é diária, tweet atrás de tweet, post após post, mês após mês, ano após ano. Se o cisne negro passar na ponte em breve, os pilares aguentarão o peso?
Henrique Raposo no Expresso
destruir os pilares que nos deram a paz e a prosperidade das últimas décadas: a ordem liberal internacional
ResponderEliminarNão é claro que Raposo não esteja a trocar a causa com a consequência: se calhar, a ordem liberal internacional é o resultado da paz, e não o contrário.
Harari explica as coisas com mais clareza, em minha opinião: há paz porque hoje em dia não se pode ganhar grande coisa com a guerra. Ao contrário do que acontecia no passado, a riqueza dos Estados não está hoje essencialmente no setor primário, pelo que a conquista de terras não tem grande valor.
Nesta perspetiva, a paz é naturalmente gerada pela evolução da economia, e depois, como consequência da paz, os Estados decidem criar uma ordem internacional.