sábado, 31 de agosto de 2019

Do realismo

Basta frequentar uma praia suburbana no pico do Verão para perceber que isso da maioria silenciosa não passa de um mito. Daí que não vale a pena aos perdedores engalfinharem-se em masoquista autofagia, resta-nos recolhermo-nos em boa ordem às catacumbas. 

2 comentários:

  1. os novos-ricos são uns cagões

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  2. Não se cala a voz da Liberdade, e lá lá lá etc.
    Há dias, estava na sala de espera duma clínica, daquelas onde os utentes têm, ou podem ter, problemas muito sérios. Apesar da música de fundo, um new-age relaxante, ouvia gente a chorar em mais que um gabinete. E eis que entra um casal de alarves que nem boa-tarde grunhiu, esparramaram-se num sofá, agarrados aos smartphones, rindo alto, como...alarves.
    Dois ou três utentes da sala acabaram por avisar a recepcionista que iam lá para fora. Eu fiquei, a estupidez catastrófica fascina-me. Em pouco tempo pararam de rir, cada um agarrado ao seu instagram, snapchat, facebook, ou fosse lá o quê. Fiquei a ouvir cliques frenéticos, música de fundo, choros, e uma ou outra gargalhada sonora.
    Tirei-lhes o retrato mentalmente. Novos, gordos, tatuagens de mau-gosto, pareceram-me do tipo que não faz piscas, não pára nos cruzamentos, fura filas a pedir uma informação e acaba atendido, e se considera muito esperto e os outros muito parvos. Concerteza vão à praia.

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