
Anda praí um forrobodó que extravasa as redes sociais por causa dum artigo polémico da Maria de Fátima Bonifácio, de tal forma que o jornal que o publicou já veio meter os pés pelas mãos manifestando arrependimento e pedidos de desculpa à parte dos leitores que se amofinou com ele. O Público fez bem publicá-lo: a censura ou a proibição é sempre um erro grave, para mais num debate que me parece tão difícil quanto importante. Ou seja, como poderemos em Portugal garantir a preservação dos nossos valores civilizacionais e ao mesmo tempo promover uma abertura a culturas em que a maioria dos seus elementos neles não se revêem? Em minha defesa, e antes que me comecem a apedrejar pelos motivos errados, deixem-me que vos diga que ao contrário da Maria de Fátima Bonifácio, eu não concordo com as quotas para as mulheres e acho que o maior problema de Portugal são os portugueses - basta conhecer a nossa História ou constatar a maioria de esquerda que por passividade nossa nos pastoreia há pelo menos duzentos anos - somos demasiado atreitos ao Síndrome de Estocolmo. Além disso, parece-me que temos muita sorte pelo facto de a maioria dos imigrantes que se por cá vêm instalando provirem das nossas antigas colónias, e assim sendo, maioritariamente de origem cultural cristã. E estou convencido que por essa razão, mais tarde ou mais cedo, não terão dificuldade em reconhecer os direitos e deveres que se lhes assistem como Seres Humanos. Já quanto à Revolução Francesa imagino que o assunto não os inspire grandemente, e devêmo-nos congratular por isso. De resto, constatar que há ciganos e outras comunidades que evidenciam dificuldades de integração é tão legítimo quanto admitir que há polícias racistas ou lisboetas racistas. Admito que sejam por enquanto casos pontuais que não devem ser exacerbados mas para os quais devemos olhar com realismo, por forma sabermos que políticas se empreender para mitigar a fractura e promover uma mais salutar assimilação. Porque me parece inevitável que as próximas gerações tenham de acolher e aprender a conviver com um cada vez maior número de imigrantes à procura daqueles trabalhos que por cá mais ninguém quer e do conforto que só o nosso modo de vida, com as nossas regras, proporciona. Não irá ser fácil, mas o pior que podemos fazer é alimentar tabus e evitar polémicas, por mais incómodas que nos pareçam. Há que olhar para os nossos vizinhos europeus e tentar aprender com os seus erros.
Ilustração: acampamento de ciganos nos jardins de Moulinsart, do álbum do Tintim "As Jóias de Castafiore", leitura juvenil que desconfio terá escapado à historiadora Maria de Fátima Bonifácio
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ResponderEliminar"... Há que olhar para os nossos vizinhos europeus e tentar aprender com os seus erros."
M. Soares aquando os acordos com a China terá, em troca, dado facilidades ao comércio chinês que hoje -dado o avançao técnológico dos produtos Made in China- são mais que discutíveis. Mas a sua administração terá tido uma outra iniciativa mais razoável. Terá sido, consta, contra as "China-Towns". Preferindo optar pela dispersão das lojas de comércio chinesas por toda a cidade....
Em alguns Países europeus foram-se entretanto criando enormes bairros islâmicos, Islâmic-Towns. Há quem esteja bem arreprendido.
Os diferentes "racismos" não desaparecem por decreto.
Soluções?. No Japão 126 milhões de habitantes em pouco espaço, 337 habitantes/Km2, cultiva-se uma rigorosa etiqueta nas relações sociais. Evitam-se assim os "inevitáveis" atritos. E são todos da mesma "raça". Afinal são todos japoneses.
O Público fez bem publicá-lo: a censura ou a proibição é sempre um erro grave
ResponderEliminarErrado: não se trataria de censura, uma vez que nenhum jornal tem qualquer obrigação de publicar um qualquer texto de opinião que um qualquer leitor lhe envie.
Se eu enviar um artigo de opinião para o Público, contendo umas quaisquer opiniões disparatadas, é normalíssimo - e não é censura - que o jornal não o publique.
Não faltava mais nada, um jornal ser forçado a publicar (o que custa dinheiro!) toda e qualquer asneira que recebesse.
Nesse livro há uma definição que nunca esqueci; a de "gadjo" = "não cigano" por cá utilizamos a palavra gajo mas já ninguém a utiliza no sentido original.
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