sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Dá cá um beijinho...

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Sobre a discussão do beijo coercivo dos netos aos avós levantada por um descabelado participante do programa Prós e Contras que eu faço empenho em não ver mas cuja intervenção me chegou pelas redes sociais, tenho a dizer que, tirando casos extremos, cada um educa os seus filhos como achar melhor, na certeza de que dessas opções um dia haverá consequências e contas a saldar. Os cientistas sociais que se metam na sua vida.


Mas visto que o tema, para lá dos insultos que gerou de um lado e de outro, para espanto meu foi levado a sério por gente que reputo de séria, também eu quero molhar o pão na sopa e aqui dar asas à minha nada modesta opinião: sendo certo que a formação de um individuo saudável, cortês e autónomo obriga à prática de doses industriais de coercividade nas criancinhas (por exemplo para acordar cedo para ir à escola, não tirar macacos do nariz ou arrumar os brinquedos depois de os usar) decretar aos petizes a obrigação de cumprimentarem com beijinho os elementos da família chegada é definitivamente um preço barato para a promoção de um agregado familiar harmonioso e (se for o caso) um treino de renúncia que vai ser útil ao infante durante toda a sua vida, em que terá de prescindir da sua vontade e reprimir a expressão de certas emoções e pensamentos para não se tornar num pária social. É que a tão exaltada "sinceridade" o mais das vezes não é tanto uma qualidade pessoal, antes uma forma de desleixo, um perigoso preceito com valor inflacionado, que só nos serve para comprar conflitos inúteis e tornar-nos mais sós e infelizes. Além disso estou convencido que um mundo melhor só é possível amando-nos uns aos outros, que sabemos muito bem é uma atitude que não vem com os nossos instintos ou apetites. E é de pequenino que se torce o pepino.

4 comentários:

  1. há 80 anos pedia a BENÇÃO a meu avó materno

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  2. O que mais me causa revolta é que esta gente ainda não percebeu que está a destruir completamente a cultura e os valores ocidentais. Não faltará muito para que o médio e extremo oriente, para já não falar na África e na América Latina, sejam os novos donos disto tudo.

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  3. Como adulta que sou, tive uma educação correcta e saudável, "alimentada" por uma família cujos valores, princípios e deveres eram cumpridos. Exemplos, além dos mencionados como por exemplo, arruma o teu quarto. E, devo dizer que não "parti nenhuma costela" a fazê-lo. Dei e dou os meus "beijinhos" à família, aos amigos e quem acho que os merece! Não me venham com falsos moralismos sobre o tema de dar beijinhos aos avós. Este acto é chocante, claro! E porque não seria?? O que não é chocante é a falta de respeito, os insultos, os adjectivos qualificativos que se ouvem em plena rua, na net, no face, no twitter. Neste último até já foi criada uma investigação para avaliar o espectro de ódio em que actuam os extremistas. Isto sim, é permitido na nossa sociedade, sem qualquer estranheza. Aliás, o que é estranho é quem não age dessa forma. "Animal pré-histórico" em vias de extinção! Compreendo que com os analistas, comentadores por tudo e mais um  "par de botas" que existem, o debate dos "beijinhos" seja motivador, mas por favor, não "insultem" as gerações passadas. Dar "beijinhos" sim!

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