
A propósito do debate sobre a Eutanásia muito se falou do problema que o aumento da esperança de vida representa nos nossos dias. O enfoque no meu entender deveria coloca-se no drama da fracturação e decadência das estruturas sociais que sempre enquadraram afectivamente e apoiaram logisticamente a pessoa envelhecida. Refiro-me à família alargada e às pequenas comunidades (em que se inclui a Igreja) que tinham essa função. Ao contrário do que nos querem fazer crer, sempre existiram pessoas fragilizadas pela idade extremamente avançada. O "envelhecimento da população" é um fenómeno estatístico. Do ponto de vista humanista, ou seja, na perspectiva da pessoa idosa em si, esse problema tem pouca relevância: “os velhos” não são um corpo social com consciência própria, cada um é uma pessoa com a sua história na plenitude da dignidade que lhe é devida. A grande tragédia que nos ameaça está na quebra dos antigos laços de solidariedade por parte da comunidade atomizada, de uma sociedade utilitária que coloca os “direitos” de cada um acima dos deveres para com os outros. A realização de cada um pelo cuidado ao próximo até ao limite. Mais que um problema para o Estado, a assistência à velhice é um problema a ser assumido por cada um de nós para com o seu próximo. Mas acontece que o amor cristão (amai o próximo como a ti mesmo) foi descartado, substituído pelo conceito romântico que tem por base a conquista do desejo do “eu” a que agora se quer atribuir direitos sobre execução da sua morte. O caldo cultural da modernidade é a coisa mais difícil de resolver e compromete definitivamente os equilíbrios afectivos que estruturam uma sociedade saudável e solidária. Não há cuidados paliativos que disfarcem esta desgraça que deixamos como legado aos nossos filhos.
ResponderEliminarPassamos da Fé em que Deus existe e n'Ele edificamos a nossa vida e a sociedade, amando-O sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, para a certeza de que «Eu» existo e quero ser feliz, onde Deus é uma incógnita.
Passamos de uma Verdade para várias.
Por isso a "Fé" se transmite (quando se transmite) como experiência e encontro, onde a vida eterna passa a vida plena.
Do «Eu» temos a certeza, de Deus temos uma crença, quando temos.
Tem toda a razão. E o susto ainda é maior se verificar que nas televisões de outros países da Europa brotam os documentários onde se tratam os velhos como uma classe à parte, de gente vivendo em agregado separado do resto da sociedade e que tem muita sorte se o Estado puder ir pagando a reforma a que têm direito e os serviços básicos. O mote é sempre o mesmo: os velhos são cada vez mais numerosos, novos tratamentos são sempre mais caros e ninguém sabe como o estado vai poder fazer face a estes encargos.
ResponderEliminarEsta Europa que era o modelo de wellfare e solidariedade no mundo, está a tornar-se, com as políticas da mme merk, num antro onde se cresce no medo do desemprego, primeiro, e da velhice, depois. Felizmente que ainda não é assim em todos os países e que as reacções começam a aparecer.
Exatamente, não é o envelhecimento que constituí um problema social, mas sim a forma como a sociedade se está a posicionar face à velhice. E sobre o debate referido é lícito perguntar se uma conceção de individualismo extremo não foi a que presidiu ao assumir de algumas posições, no fundo, confirmando a velha máxima, atribuída a Margaret Thatcher, segundo a qual 'a sociedade não existe, apenas os indivíduos e as suas famílias';
ResponderEliminarDito muito em poucas e sólidas palavras.
ResponderEliminarDever ser é uma coisa, ser é outra, por regra bem diferente.
ResponderEliminarE o que quer dizer, na prática, « encoraja »? Onde estão as cláusulas penais para quem não aplicar esta linda lista que, aposto, foi elaborada pelos mais considerados e bem pagos especialistas nestas andanças? Veja bem que andam a gastar fundos da comunidade nestas conversas há 30 anos e, pela minha experiência, até parece que se poderia dizer que elas conseguiram agravar a situação.
Parole, parole, parole...
ResponderEliminarComo indica é do amor cristão que necessitamos, é nele que estão os antigos laços de solidariedade e o amai o próximo como a ti mesmo.
O humanismo é o problema, é ele que substitui os valores que tinhamos por outros em que o «Eu» é a medida do Bem, sedutoramente acenando com liberdade e dignidade coloca as sementes da relativização, do materialismo e utilitarismo.
É sempre a mesma sedução, sereis como deuses:
https://remnantnewspaper.com/web/index.php/articles/item/3767-becoming-as-gods-the-murder-of-desdemona-by-othello-abortion-and-communion-in-the-hand
A solução não passa portanto por mais humanismo mas por sermos verdadeiros cristãos, com Fé e que acreditam. A vida tem um propósito, não a desbaratemos.
rui patricio 3 -- CR7 3
ResponderEliminartenho 87 apesar de 4 erros médicos graves.
ResponderEliminarfaço desporto. alimentação saudável (vegetais cozidos ou crus, peixe e carnes cozidas, grelhadas ou assadas sem queimar, 1dl dr tinto alentejano ao almoço, 1l de água del cano), nada de tabaco ...
não domino a parte genética, só os factores comportamentais
👍 Bravo!
ResponderEliminarParabens!
ResponderEliminarO amor cristão é do mais hipócrita que existe.
ResponderEliminarAs pessoas têm falta de empatia e isso é algo que nem sempre se cultiva no seio social ou familiar. Por isso vemos idosos abandonados, acrescentando precárias condições de tratamento e apoio a estes.
Sem dúvida teria que haver uma mudança de mentalidades, de sistema, de leis, de ensino, enfim. Mudanças... que tardam.