terça-feira, 29 de maio de 2018

Eutanásia 3

(...) É certo que há quem defenda a eutanásia por sentimentos de compaixão, como resposta a situações de sofrimento duradouro e insuportável. Por isso se fala em morrer com dignidade. Como se a vida, em si mesma, nas suas dificílimas circunstâncias, físicas, psicológicas, sociais ou económicas, pudesse ser indigna. Como se ao Estado pudesse caber a tarefa de reconhecer a existência de vidas que, objectivamente, não merecem ser vividas. Como se fosse unívoco até o conceito de sofrimento insuportável. É evidente que a morte, antecipando o termo da vida, põe fim a qualquer sofrimento. Mas se o problema que queremos debelar é o sofrimento, a morte nunca poderá ser a solução. Aos olhos do Estado toda a vida deveria merece ser vivida. Tirar a vida não é solução para coisa nenhuma. Aquilo que nos deve mobilizar é permitir que todos possam viver, até ao fim, com toda a dignidade.


 


A ler Nuno Pombo e Rui Castro aqui na intergra no Jornal i

2 comentários:

  1. Primeiro:
    "Como se ao Estado pudesse caber a tarefa de reconhecer a existência de vidas que, objectivamente, não merecem ser vividas".




    "Tirar a vida não é solução para coisa nenhuma". 

    É evidente que a morte, antecipando o termo da vida, põe fim a qualquer sofrimento".


    "Como se a vida, em si mesma, nas suas dificílimas circunstâncias, físicas, psicológicas, sociais ou económicas, pudesse ser indigna"





    "Aquilo que nos deve mobilizar é permitir que todos possam viver, até ao fim, com toda a dignidade".


    Plenamente de acordo. Devemo-nos mobilizar todos para que o maior número possível de pessoas possa viver até ao fim com toda a dignidade. O que não impede que haverá sempre alguém que chegará a um momento da sua vida sem dignidade. Achar o contrário é uma utopia. E se não for utopia, então ainda bem. Nesse dia ninguém sentirá necessidade de pedir uma morte "antecipada".

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  2. Que chorrilho de disparates! Repare-se:

    Como se a vida [...] pudesse ser indigna. Aquilo que nos deve mobilizar é permitir que todos possam viver [...] com toda a dignidade.

    Primeiro diz-se que a vida não pode ser indigna, depois diz-se que é preciso molilizarmo-nos para que ela possa ser digna.

    Como se ao Estado pudesse caber a tarefa de reconhecer a existência de vidas que [...] não merecem ser vividas.

    Não é ao Estado que cabe tal tarefa: são as próprias pessoas que solicitam a eutanásia quem afirma que as suas vidas não merecem ser vividas. Não é o Estado quem declara tal coisa, são as pessoas.

    Como se fosse unívoco o conceito de sofrimento insuportável.

    Precisamente por não ser unívoco é que certas pessoas consideram certo sofrimento insuportável e querem deixar de viver, enquanto que outras pessoas, pelo contrário, escolhem continuar a viver. Precisamente por não ser unívoco é que certas pessoas pedem a eutanásia, e nós não temos o direito de lha recusar.

    Aos olhos do Estado toda a vida deveria merece[r] ser vivida.

    Talvez, mas o Estado não tem nada que ter opinião nem, muito menos, tem o direito de a impôr aos cidadãos. Lá por o Estado ser da opinião que toda a vida deve ser vivida, não tem o direito de nos obrigar a todos a vivê-la.

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