segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Obrigado, Pedro Passos Coelho

(...) Ao contrário de todos os outros, e por única e exclusiva culpa de um deles (José Sócrates), Passos Coelho teve de gerir um país à beira da bancarrota, focado que estava em cumprir um único programa de ajustamento para evitar repetir a tragédia da Grécia. Tudo ao mesmo tempo que reconstruia o tecido económico nacional com um enfoque estratégico no sector exportador de valor acrescentado que permitisse um equilíbrio sustentável da nossa Balança de Pagamentos, que construía reformas importantes na legislação laboral para atraír investimento direto estrangeiro, que criava uma legislação no arrendamento que acabou com décadas a fio de iniquidades derivadas do congelamento das rendas que promoveu o abandono e a decadência dos nossos principais centros urbanos e que liberaliza sectores estratégicos da nossa economia de forma a combater o desemprego e a promover o progresso económico.


Mais do que o “não” a Ricardo Salgado para envolver a Caixa Geral de Depósitos na viabilização de um Grupo Espírito Santo falido — o que permitiu-lhe ser coerente e consequente com um pensamento económico liberal que não vê o Estado como o motor da economia ou como o salvador promíscuo de empresas inviáveis a troco de um controlo político de instituíçoes que devem orientar-se pelo valor que criam para os seus acionistas — mais do que esse fundamental “não” que muito poucos seriam capazes de dizer, um dos contributos mais importantes de Passos Coelho para um aprofundamento da democracia portuguesa foi a construção de uma Justiça verdadeiramente independente que pôde finalmente cumprir o seu papel: escrutinar todos aqueles que se julgavam acima da lei e investigar tudo o que fosse necessário independentemente do poder político, social e económico dos respetivos protagonistas. (...)

3 comentários:

  1. "esse fundamental não" que Passos Coelho deu a Ricardo Salgado do BES já antes tinha sido dado por José Sócrates a Miguel Cadilhe do BPN.
    Recordo que José Sócrates foi alvo de muitas críticas, vendas de setores da direita, por se ter recusado a apoiar Miguel Cadilhe num plano de revitalização do BPN, preferindo nacionalizar esse banco.
    Ou seja, Passos Coelho não foi o primeiro a dizer não a um banqueiro.

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  2. "a Justiça verdadeiramente independente" é um desastre, como agora se está a ver nas nossas relações com Angola.
    Nenhum país que se preza tem uma "Justiça verdaderamente independente" que se permita estragar as suas relações com outros países.

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  3. Passos Coelho não reconstruiu o setor económico nacional com enfoque nas exportações. Quem fez isso foram os empresários portugueses. Não foi o Estado.

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