
Curioso é o brado que se levantou por causa de um programa de televisão em que crianças problemáticas são utilizadas para o entretenimento da turba, num tempo em que as questões morais parecem deslegitimadas da discussão pública, para serem substituídas por argumentos científicos e técnicos (mais ou menos discutíveis). Estranha-se que esta indignação monopolize a praça pública quando ontem soubemos que em 2017 houve mais 24 mil mortes do que nascimentos em Portugal, coisa que poderá significar o recorde do século. Mal ou bem-educados, os portugueses parecem estar em acelerado processo de extinção (somos o 5.º país mais envelhecido do mundo), uma dinâmica de morte que se repete com a família “natural”: por cada 100 casamentos que são registados em Portugal há 70 pedidos de divórcio, o número mais elevado da Europa. Se considerarmos como, ao contrário da generalidade dos países europeus, por cá a sociedade civil é débil e que ao longo de décadas a família foi o principal suporte dos indivíduos, apercebemo-nos do trágico significado destes números: uma sociedade cada vez mais atomizada, com as pessoas tendencialmente isoladas e desprotegidas perante um Estado cada vez mais poderoso e omnipresente. Paradoxalmente, as nossas elites por estes dias parecem estar mais preocupadas em discutir os malefícios do sal e as virtudes do autocultivo da cannabis, já para não falar da liberalização ou não do consumo recreativo deste psicotrópico alucinogénio. E é aqui que voltamos à questão levantada no início desta nota: este é um assunto técnico ou uma questão eminentemente moral? Que sinais pretende o Estado dar aos nossos jovens, sobre o que é bom ou mau para a formação de um bom caracter?
Todos estes sinais deviam provocar-nos muita inquietação, e desconfio que a sustentabilidade da segurança social é o menos aflitivo. Afinal, andamos todos distraídos com quê?
Que sinais pretende o Estado dar aos nossos jovens, sobre o que é bom ou mau
ResponderEliminarProibir uma coisa só para "dar um sinal" parece-me uma muito má ideia.
As coisas podem ser proibidas por diversas razões, mas devem ser razões objetivas - não deve ser simplesmente para "dar sinais".
É preciso estudar as consequências objetivas, práticas, de uma qualquer proibição - não as suas consequências simbólicas ou os sinais que alegadamente ela dá.
Não é necessário proibir, mas é importante não liberalizar - não faz falta.
ResponderEliminarOs que se curaram, milagrosamente, e têm que beber apenas um "copo" de vez em quando, depressa retornarão à cocaína, por esta via!
ResponderEliminarOs que vão começar com a canábis liberta, rapidamente chegarão à cocaína!
Infelizmente há famílias que tiram isto "de Cartilha" ...
Não é necessário proibir, mas é importante não liberalizar
ResponderEliminar"Liberalizar" significa, suponho eu, passar a permitir (dentro de certas condições, claro - mas tudo o que é permitido tem sempre algumas condicionantes) algo que atualmente se encontra proibido.
Logo, se não se liberaliza, continua-se a proibir.
Portanto, se o João Távora defende que não se deve liberalizar, está de facto a defender que se deve (continuar a) proibir.
Exactamente. Não faz sentido proibir o que já é proibido.
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