segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Assédio

(...) A alternativa do politicamente correcto, agora, é carregar escolas e profissões de polícias do “machismo”. Mas quem policia esses polícias, uma vez que ninguém, nem mesmo campeões públicos do feminismo como Weinstein e Stafford-Clark, parece estar acima de suspeita? Mais: que fazer, quando ninguém parece saber exactamente onde estão as fronteiras? A “libertação sexual” não foi o fim da história, como se vê pela confusão actual. Mostrar interesse já é “assédio”? Quando é que “não” significa “não”? O que é “consensual”? Uma relação em que uma mulher se conforma com o comércio sexual apenas para promover a sua carreira de actriz – é consensual? Talvez fosse mais eficaz associar novamente o sexo à responsabilidade, e não apenas ao hedonismo. Mas para isso, teríamos de nos libertar de uma “libertação sexual” que fez do sexo tudo e ao mesmo tempo nada, ao ponto de deixar passar toda a espécie de equívocos e de violências.


 


Rui Ramos a ler na integra aqui 

1 comentário:


  1. "Talvez fosse mais eficaz associar novamente o sexo à responsabilidade, e não apenas ao hedonismo."
    Excelente ideia, é tão boa que serve para tudo:
    Se os ladrões tivessem sentido de propriedade acabavam-se os roubos.
    Se os assassinos respeitassem a vida humana não havia mais mortes violentas.
    Se os predadores sexuais não considerasse o sexo uma brincadeira não havia predadores sexuais.
    O raciocínio tem um pequeno defeito: Um predador sexual não é exatamente a pessoa de quem se espera responsabilidade e colocar o ónus da solução do lado das vítimas é uma maneira rebuscada de dizer: "estavam mesmo a pedi-las".


    Disso isto, é claro que sendo um crime difícil de provar é também um crime que se presta a denúncias falsas, mas não deixa de ser um crime. E convém não esquecer que quem comete o crime é o criminoso, não a vítima.

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