Pensar que é só no futebol que se estabelecem relações promiscuas e tráficos de influências para obtenção de vantagens evitando as regras e os canais institucionalizados seria uma ingenuidade. Para já, a reversão de 50% do capital da TAP para o Estado permite a distribuição de mais uns cargos pelos amigos do regime, e a família de Carlos César é apenas a ponta do iceberg de uma cultura de paternalismo e dependência de que não nos conseguimos libertar. O chico-espertismo perpassa de geração em geração. Por isso adjectiva-se a ética de “republicana”: é uma ética esvaziada, dependente e servil, condicionada pela casta que dela se apropriou e se perpetua na orla do poder, com a mão na malga para sorver do grande tacho, qual caricatura do antigo Rafael Bordalo Pinheiro. Neste Portugal eternamente socialista pouco valor terá o mérito, o engenho e a iniciativa que estão condenados a ser vistos pelos olhos mesquinhos da inveja e do cobrador de impostos. Afinal a glória tem sempre um atalho, é alcançável com um mero telefonema ou um email dirigido à pessoa certa. Com as relações certas. Por isso estamos condenados à pobreza e à pedinchice. Triste destino, trágico fado o nosso.
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LOL O João Távora nem se deu conta que o Bordalo Pinheiro estava a retratar a nossa monarquia 😊
ResponderEliminarO rei Dom Carlos pagou com a vida o ter tentado reformar o sistema politico...
ResponderEliminarComo deveria saber na monarquia constitucional, não era o rei que governava, eram os partidos políticos
Eu não falei em ninguém em particular, Rei ou demais políticos. Limitei-me a assinalar que o Bordalo estava a retratar a politica (o pais), na monarquia. Era o que havia. Acredito que o João Távora se tenha distraído com a época em que o Bordalo Pinheiro viveu e que tenha cometido um lapso curioso. Mas sempre lhe digo também que a imagem que os estrangeiros tinham do país não era melhor do que a do Bordalo... Eu sempre disse que há monarquias e monarquias. Calhou-nos a portuguesa, em vez da inglesa, enfim...
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