O Governo anterior tem vindo a ser reconhecido, muito a custo, como um governo razoável, tal como o programa de ajustamento tem vindo a ser reconhecido como tendo sido útil.
O défice externo (a fonte de todos os problemas) desapareceu desde o meio do programa de ajustamento, a melhoria dos indicadores do emprego e desemprego (o principal custo social do programa de ajustamento) tem vindo a ser reconhecida como influenciada pelas reformas feitas sob os auspícios da troica (e que o actual governo não se tem atrevido a reverter), as condições de financiamento do Estado português (a corda que partiu e levou ao pedido de ajuda) estão em condições razoáveis porque o actual governo tem demonstrado que na prática vai prosseguir as políticas do governo anterior e do programa de ajustamento e a famosa devastação social afinal não existiu e os problemas sociais decorrentes do desemprego foram sendo geridos e começaram a ser revertidos já em 2013 (em especial na medida em que o desemprego começou a descer).
Mas na actual maioria há uma linha de comunicação política absolutamente clara: nunca, em tempo algum, se pode reconhecer que afinal não era verdade o que foi dito ao longo deste tempo todo sobre o governo anterior, porque essa é a única base em que assenta o governo e a maioria conjuntural que o apoia.
É por isso que mesmo sabendo a figura ridícula que resulta desta opção (já nem falo de João Galamba a dizer que outro partido qualquer se tornou num partido estruturalmente aldrabão), Centeno não se coíbe de querer convencer-nos de que quando Schauble diz que "o programa de assistência português “é uma história de sucesso”"quer na realidade dizer que "se conseguiu mais neste ano e meio (que nos anteriores), em particular na credibilidade".
Que a actual maioria continue com este discurso sem que a imprensa questione seriamente este tipo de afirmações absurdas, mas que se repetem mecanicamente, só demonstra o estado deplorável da discussão de políticas públicas que existe.
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