sexta-feira, 30 de junho de 2017

Da defesa do obscurantismo

“Isso tem de ser devidamente estudado. Estudos há, poucos em Portugal, alguns contraditórios, há muitos na Austrália e portanto vamos buscar a ciência lá fora se cá nós não a fazemos, ou se não há meios ou se é patrocinada pela indústria e poderá não ser a mais isenta, porque infelizmente também ocorre muito isso … há estudos diversos, mas há poucos estudos nesta área, e o que nós defendemos aí é claramente investigação científica isenta, paga pelo Estado e não por empresas, que fique bem claro”.


Ontem ouvi isto na Assembleia da República por um representante de uma organização ambientalista para justificar o facto de não ter estudos para fundamentar o que dizia sobre eucaliptos.


Este recurso à insinuação e à difamação, ou às suas variantes mais suaves de dizer que os números dizem o que quisermos, ou que estudos há para todos os gostos e por aí fora, corresponde a uma corrente obscurantista que tem muita visibilidade mediática, a suficiente para muitas vezes impedir a racionalidade do debate de questões complexas.


O problema central não é que alguém diga disparates como os do primeiro parágrafo (facilmente desmentidos por qualquer procura rápida no google), o problema é mesmo uma comunicação social que prefere, de maneira geral, repetir acefalamente coisas destas, em vez, por exemplo, aprender um bocadinho com quem sabe e é acusado de estar vendido à indústria por gente que não se sabe o que fez de concreto, até hoje, em matéria de gestão florestal.

Sem comentários:

Enviar um comentário

No centenário da "Revolução Nacional"

  Em 1915, um obscuro periódico provinciano, " Os Ridículos ", preconizava acerca da República, que dizia encontrar-se « no seu es...