segunda-feira, 19 de junho de 2017

Algumas notas sobre a tragédia de Pedrógão Grande

PedrogãoGrande.jpg


1. O registo emocional em que muita gente prefere permanecer no que à tragédia de Pedrógão Grande diz respeito não é  bom conselheiro: sabemos bem que mais fácil é arranjar um bode expiatório, um alcoólico incendiário para cima de quem canalizar a fúria e a indignação, mas isso não serve para nada – não alivia a dor dos vivos nem ressuscita as vidas tombadas. 


2. Dar ênfase à questão da ignição que deu origem ao fogo, se foi um raio ou um maluquinho, é uma forma de evitar a questão principal, que é a de perceber porque é que Portugal é campeão em fogos florestais para que - de uma vez por todas - se concentrem as políticas na prevenção, promovendo reformas para um ordenamento do território de acordo com o clima que nos coube em sorte.


 


3. “Hoje, através da actuação da Autoridade Nacional de Protecção Civil, verificamos uma enorme evolução em termos da segurança da população e da salvaguarda do património, com melhorias significativas em termos de capacidade de resposta operacional, mas também com o necessário aprofundamento das políticas de prevenção, investindo-se no planeamento de emergência, na minimização de riscos e nos sistemas de alerta e de aviso às populações.” Estas palavras eram proferidas pela ministra da Administração Interna Constança Urbano de Sousa em Março do Ano passado por ocasião do 15º aniversário da Tragédia de Entre-os-Rios. Passado pouco mais de um ano, esse "país das maravilhas" não resistiu à realidade das coisas. 


 


4. Numa democracia avançada todos os factos de uma tragédia desta envergadura têm de ser escrutinados e tiradas as consequências, não é preciso esperar três dias para se questionar tudo o que houver para questionar. Para que é que serve um Estado que não sabe, não consegue, proteger os seus cidadãos? Como bem refere aqui o nosso Henrique Pereira dos Santos, “Aquilo a que na maior parte das vezes se chama “imprevisibilidade” em matéria de fogos é, na verdade, ignorância. Uma das armas mais letais que existem.


 


5. A par da assinalável mobilização da sociedade civil no apoio material às populações afectadas pela tragédia e aos bombeiros acredito na importância da oração. As minhas orações por estes dias vão para as vítimas e para as famílias enlutadas.


 


Fotografia - Observador


 

6 comentários:

  1. Para que é que serve um Estado que não sabe, não consegue, proteger os seus cidadãos?

    Como pode o Estado proteger cidadãos que não estão interessados em proteger-se a si mesmos?

    Pois, quando as pessoas vivem em aldeolas perdidas no meio de um pinhal contínuo, podem esperar um dia morrer queimadas. Ou não?

    A primeira responsabilidade de proteção deveria pertencer às próprias pessoas, que deveriam ter cuidado com o sítio onde habitam.

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  2. Custa-me qualificar este comentário. Tão imbecil que só podia ser anónimo... 

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  3. A questão da ignição do incêndio tem a ver mais com a hora do que com o modo. As tais trovoadas parece que só surgiram ao final do dia, - cá em Lisboa, ocorreram após as 20 horas, como é  (empiricamente) normal - enquanto há testemunhos que dizem ter alertado os bombeiros a partir das 14:00 horas. As primeiras horas de ataque ao incêndio são cruciais. Parece que esse ataque não ocorreu. Se a tese oficial assenta nas tais trovoadas que só se verificaram 4 ou 5 horas após os primeiros alertas, isso significa o branqueamento da responsabilidade de quem não actuou naquela  janela temporal. E por isso se recorre ás trovoadas para explicar que o início da noite  comportou uma simultaneo e generalizado inferno   que impediu o socorro. Desde que Marcelo surgiu a desculpabilizar se percebeu que se estava perante manobras de encobrimento. O Cidadão comum, onde me incluo, não pode confiar no governante - seja ele de que partido for. Em especial nesta gajada.

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  4. Caro João Távora


    Felicito-o pela sobriedade e equilíbrio do seu "post", e sobretudo para o seu ponto nº5: uma tragédia desta dimensão só é suportável ( não encontro outra palavra) com fé.
    cumprimentos e um abraço


    Vasco Silveira

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  5. O comentário não é anónimo de propósito, e quem o escreveu fui eu, Luís Lavoura.
    E mantenho a imbecilidade que disse: viver em pequenas aldeolas no meio de plantações intermináveis de árvores é perigoso. As pequenas aldeolas não podem ser efetivamente protegidas. Seria muito mais seguro as pessoas habitarem em grandes vilas, como em Espanha.

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  6. Se Vexa, anónimo, chama-se Luís Lavoura, da frase de João Távora (Tão imbecil que só podia ser anónimo...) poderá retirar-se, agora e tranquilamente, a palavra «Tão» e escolher outra.

    Cumprimentos imbécis...

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