António Costa tem-se queixado amiúde de ter de andar a resolver os problemas do sistema financeiro que o governo anterior não quis resolver e empurrou com a barriga para poder fingir que havia uma saída limpa.
Vejo hoje no Público que os bancos absorveram 50 mil milhões de euros em imparidades desde 2008. Nos anos de Passos Coelho (por facilidade, de 2011 a 2015), foram absorvidos para cima de 30 mil milhões (Passos Coelho na entrevista desta semana falou em 20 mil milhões).
Ou seja, por maior fragilidade que exista na situação do sector financeiro que Costa se queixa de ter recebido em herança, ela é 20 ou 30 mil milhões melhor que a que recebeu Passos Coelho.
A diferença essencial é que Passos Coelho foi resolvendo (na verdade, os bancos foram resolvendo) sem quase falar na herança que recebeu, mas apenas na responsabildiade que tinha, e mantendo, no essencial, a tranquilidade do sector, apesar de abalos como o do BES; Costa, que terá até agora resolvido seis mil milhões de euros de imparidades, está sempre, sempre a queixar-se do governo anterior e, muito mais grave, actua completamente focado nos ganhos políticos de curto prazo, mesmo quando isso significa instabilidade para o sistema financeiro (como alardear buracos nas contas da CGD, só para citar o exemplo mais evidente) e custo para o contribuinte.
O que os distingue é essa diferença.
Isso, e uma imprensa hostil, num caso, e muito simpática, no outro e que acha que o governo se avalia não pelo que faz pela vida quotidiana das pessoas comuns, mas pela capacidade de esmagar retoricamente o adversário.
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