quinta-feira, 20 de abril de 2017

Concursos, dizem eles

A Wilder é uma revista digital interessante para naturalistas. E foi ali que fui encontrar a notícia de que estariam abertos os concursos para recuperar matas no Parque da Peneda-Gerês.


Uma notícia destas interessar-me-ia sempre, quer por curiosidade intelectual, quer porque sendo presidente de uma pequena associação de conservação estou sempre à procura de oportunidades para a fazer crescer.


É claro que vou conhecendo o meu país e sei bem como funcionam estas coisas, por isso fui verificar a informação.


Como seria de prever, trata-se de um concurso para o qual é convidado um único concorrente a apresentar uma candidatura, por sinal um organismo do Estado e o organismo do Estado que participou na definição do caderno de encargos do concurso.


Na prática trata-se de pôr os fundos comunitários a financiar directamente o Estado através de um processo fictício de concursos e candidaturas, num procedimento desenhado pelo governo anterior e prosseguido pelo actual: em matéria de financiamento do Estado fora dos processos normais há um grande consenso entre as forças políticas em Portugal.


Este é só um pequeno exemplo do POSEUR, no resto dos fundos disponíveis é essencialmente igual.


Quanto ao que estes fundos poderiam fazer se aplicados directamente a pagar os serviços de ecossistemas produzidos pelos agentes económicos e sociais que são responsáveis pela gestão do território, em vez de aplicados a disfarçar as ineficiências do Estado, fica para outro dia escrever sobre o assunto.

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