segunda-feira, 3 de abril de 2017

António Costa apoia Passos Coelho

Fui esperando para ver a coisa bem explicada, mas como vai passando o tempo, talvez alguém me saiba explicar: na apresentação da venda que não é venda do Novo Banco, António Costa passou ou não o tempo a elogiar o governo anterior?


Defendeu com unhas e dentes a argumentação de Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque em relação à ausência de custo para os contribuintes da resolução do BES.


Explicou muito bem explicadinho que as regras europeias de resolução, de que a do BES era um ensaio sem precedentes que a pudessem guiar, condicionavam as soluções.


Foi muito pormenorizado em explicar por que razão a nacionalização do BPN tinha sido errada, erro que não queria repetir, sendo a resolução do BES uma solução muito, muito melhor que deixar falir o banco ou nacionalizá-lo.


Onde vi divergências com Passos Coelho foi na sua demonstração de que teria sido muito melhor, para os contribuintes, privatizar a Caixa Geral de Depósitos que capitalizá-la. É certo que estava a falar do Novo Banco, mas toda a argumentação sobre custos para os contribuintes da nacionalização do Novo Banco se aplica, como uma luva, ao que foi feito no caso da CGD.


Só foi pena que na parte em falava de todo o sistema financeiro (outra divergência com Passos Coelho, a sua defesa e orgulho na interferência do Estado na gestão accionista de empresas privadas com uma argumentação que explica por que razão Salgado teria obtido deste governo o dinheiro que o governo anterior lhe negou) se tivesse esquecido de explicar o que até hoje não explicou: as suas opções no BANIF, que me parecem muito pouco coerentes com o que disse sobre o Novo Banco e os contribuintes.

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