quarta-feira, 8 de março de 2017

Os bois pelos nomes

Já aqui falei de Vítor Matos, que orienta a secção política do Observador.


Vale a pena ouvi-lo de novo, para se perceber como funciona a coisa.


"Esta quarta-feira, António Costa e Pedro Passos Coelho não deram um contributo para uma democracia mais saudável. De quem é a culpa? De todos.


...


O nível passou para o amarelo quando António Costa, numa tática parlamentar comum, passou ao ataque em vez de responder às perguntas.


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Então o nível passou para laranja. Costa fez o que faz quase sempre. Quando não quer responder, desconversa.


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Aliás, percebe-se que Costa tenta ser irritante para irritar Passos e a seguir dizer, cinicamente, que ele se irritou.


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E a seguir foi outra vez irritantemente condescendente: “Não perca a cabeça como no último debate… intercale… mantenha a serenidade. No país não há crispação. O que há é uma bancada ressabiada”.


..."


Ou seja, Vítor Matos vê o que todos vemos: Costa não tem o menor respeito pelas instituições, usa-as para a pequena política e serve-se delas como qualquer chefe de facção ou, como agora se diz, como qualquer populista, não tendo o menor pudor em contribuir para a degradação institucional, seja na forma como se comporta na Assembleia, seja na forma como sistematicamente se refere à oposição (que representa mais gente que o seu partido), seja como fala do Banco de Portigal, ou o Conselho de Finanças Públicas, ou na forma como manipula a informação oficial a que tem acesso sobre as offshores para obter um efeito determinado (mesmo que o faça de maneira a enfraquecer o Estado), etc..


Mais, nem por uma única vez Vítor Matos consegue identificar um contributo de Passos Coelho para a degradação do debate, excepto o facto de não comer e calar, descrevendo sempre respostas dentro do respeito institucional que é devido quer ao primeiro ministro (seja ele um gentleman ou um broeiro), quer à Assembleia da República.


Vítor Matos, apesar de ver o que todos vemos, tem o problema da esmagadora maioria dos jornalistas: não se pode falar assim de Costa, o homem das ameaças por sms ou da gestão das fontes que alimentam exlusivos de jornais ou da fiel canzoada que se abate sobre quem quer que diga que o rei vai nu (Seguro que o diga).


Por isso Vítor Matos vai dizendo que a culpa é todos, em vez de dizer o que deveria dizer: Costa está a enfraquecer a Democracia e o seu sistema de contraditório e de equilíbrios entre os diferentes poderes.


E os debates parlamentares são o que são porque Costa é o que é.


PS Já depois de escrito este post, dou de caras com este suposto fact check do Observador, que é de ir às lágrimas de tal forma é ridículo fazer a verificação de factos com recurso a fontes anónimas sobre o que se passou numa reunião à porta fechada para verificar se Passos Coelho insultou Costa nos debates

4 comentários:

  1. Começo a acreditar que pode haver mais "David Dinis" no Observador.

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  2. Há intervenções de hoje do PM no parlamento que são uma vigarice de ponta a ponta.

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  3. O Sr. P.M. sabe muito bem o que está a fazer ...  ele não vai ao mato sem corda, mas contribuiu para eu continuar a abster-me de votar.

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  4. Achar que o observador defende o governo é de gargalhada. Ou então é de não perceber nada 

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