sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Risco sísmico

Ontem li uma notícia muito interessante no Público e gostaria de a comentar.


O título é sugestivo "Risco sísmico em Lisboa: "É como estar num barril de pólvora"".


O lead também é informativo: "Mário Lopes, investigador do Instituto Superior Técnico, esteve numa reunião com deputados da assembleia municipal e criticou a inércia do poder político face ao tema".


""Se tivermos a repetição de 1755, um terço de Lisboa fica em escombros" e ninguém parece verdadeiramente preocupado com isso, lamenta Mário Lopes".


"Mário Lopes deu o exemplo de Nórcia, uma cidade a cerca de 60 quilómetros de Amatrice, também abalada por terramotos em 2016. ... nos últimos 40 anos, quase todas as infraestruturas de Nórcia tiveram obras de reforço sísmico, o que contribuiu para que as consequências tenham sido muito menos graves ali".


"A Baixa é um marco da história da humanidade que nós próprios temos andado a destruir ... Isto é a receita para o desastre".


O que proponho é um exercício simples: substitua-se nos bocados da notícia acima "risco sísmico" por "risco financeiro" e "Mário Lopes" por "Passos Coelho" (ou outro qualquer "pessimista").


Talvez assim se perceba o ridículo de dizer que uma pessoa que fala de riscos está a chamar e a ansiar pelas catástrofes e se perceba não só o ridículo, mas a imensa irresponsabilidade dos "optimistas irritantes" que dizem que o facto de hoje não ter havido uma repetição de 1755 demonstra que os "pessimistas" não têm razão.


Retomando a notícia ""O problema do risco sísmico (substitua-se por financeiro) não se resolve a nível técnico ... é um problema político ... Nós estamos em cima do problema. É como estar em cima de um barril de pólvora com a mecha a arder", afirmou o especialista" (escolher o nome do especialista a gosto).


Isto não é um problema de Bruxelas aceitar ou não aceitar mais ou menos décimas de défice, isto é um problema de gestão de risco e é razoavelmente estúpido que um país com o nível de risco que Portugal tem (quer sísmico, quer financeiro), desvalorize os custos de fenómenos de baixa probabilidade e elevado impacto (os cisnes negros) com base no optimismo irracional e em ganhos marginais de elevada probabilidade.

3 comentários:

  1. Com a diferença de que o investigador Mário Lopes não é politico e não tem interesse em derrubar governos. Isto de misturar ciência e politica, bem como fenómenos naturais e decisões politicas, é uma ideia bizarra.

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  2. É só ver. Interessante!


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