terça-feira, 3 de janeiro de 2017

E dispor-se à acção?

"um partido que já foi reformista e uma esperança, começa a tornar-se irrelevante. Deixou de ser social-democrata há muito tempo, razão que levou ao afastamento de muitos dos seus militantes e apoiantes. Mas agora, com o tempo, deixou de sequer valer a pena. ... O PSD esqueceu-se do seu papel e do seu propósito. ... o partido está esgotado, esvaziado, está tomado pelo oportunismo, pelas agendas pessoais de curto-prazo e... perdeu o propósito?".


Não interessa nada de quem é a citação acima (não é a posição da pessoa que informalmente fez este comentário que interessa), o que interessa é que esta posição aparece muito no espaço público, quer em militantes do PSD que não gostam da actual orientação do partido, quer em independentes (Nuno Garoupa será talvez um bom exemplo), quer em militantes do PS quando se preocupam com a pasokização do PS.


Confesso que, com excepção dos militantes e dirigentes que dependem das suas posições partidárias, não entendo as preocupações com a morte ou a irrelevância progressiva de qualquer partido: os partidos representam sectores sociais e quando deixam de os representar, naturalmente, tornam-se irrelevantes.


Se muitos militantes e apoiantes dos actuais partidos já não se sentem representados neles, o caminho é mais ou menos óbvio: avancem, façam um partido alternativo e apresentem-se a eleições.


Eu, que não acho interesse nem utilidade nenhuma no que diz e propõe Rui Tavares, deste ponto de vista tenho de lhe tirar o chapéu: em vez de se lamentar por não o representarem convenientemente teve a coragem de fundar um partido e dar o peito às balas.


Há sempre a hipótese de se repetir a história implícita na famosa citação "E quem fará a revolução, na Rússia? Talvez esse senhor Bronstein que passa todo o dia no Café Central?"

4 comentários:

  1. A solução que interessa ao País, aos eleitores, é genuina representatividade. 
    O que não é o actual  atributo dos partidos em Portugal. Nem nunca será de nenhum uma vez que não são aglomerações de eleitos directamente pelos eleitores, mas apenas grupos amorfos de oportunistas sem representatividade real. 
    O resultado está à vista.

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  2. Pois é ... é para se resolver o problema da falta de "genuina representatividade" dos partidos politicos mais votados em democracia que se fazem ditaduras de partido único !!  ;)

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  3. Só o candidato vencedor num determinado círculo eleitoral -concorrendo directamente contra os restantes candidatos (de esse círculo eleitoral seja ele de qualquer partido, ou mesmo independentes- é que terá representatividade política ... genuína.
    E nada impede, muito democraticamente acontecer que todos o vencedores, de todos os círculos eleitorais, de um País, sejam, por coincidência(?), do mesmo partido.

    Em Portugal os futuros deputados não têm genuína repersentatividade.
    São APENAS uma seleção interna dos Partidos.
    Partidos que curiosamente dizem cobras e lagartos uns dos outros em campanha e depois, a posteriori, se associam para mecher o tacho, sem possibilidade de posterior assentimento pelos eleitores. Óbviamente que uma Lei Eleitoral coerente devia obrigar semelhantes "maiorias" na AR a um imediato, necessário, sufrágio no universo eleitoral.
     
    Com deputados em nome, genuínos, isso não aconteceria pois na eleição seguinte esse deputados saberiam que bem podiam não ser re-eleitos.

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  4. Nenhum sistema eleitoral democrático é perfeito. 
    Em geral cada um tem os defeitos das suas qualidades e vice-versa.
    A longa história politica comparada de todos os paises comprova empiricamente esta banal evidência. 
    Os partidos, que são muito simplesmente a livre organização e associação de cidadãos em torno de visões programáticas comuns, mesmo com as suas limitações e os seus defeitos, desempenham globalmente um papel positivo de clarificação das principais alternativas politicas existentes e no funcionamento eficaz da democracia (que, para além da maior representatividade possivel, deve igualmente garantir a desejável governabilidade).   
    Dito isto, a apresentação de candidaturas independentes (dos principais partidos) é também possivel. Tanto é assim que há sempre candidaturas individuais não partidárias ou apoiadas por pequenos partidos. O que se passa é que normalmente ... não conseguem votos suficientes para serem eleitos !...
    No fim de contas, são os eleitores que decidem livremente qual é o tipo de constituição e qual é o sistema eleitoral adoptado e são ainda os eleitores que decidem livremente se e como votam nos candidatos que se apresentam em representação de partidos ou de forma independente. 
    O problema politico principal nas nossas sociedades democráticas, incluindo o nosso pais, não é tanto o dos sistemas eleitorais, que são apenas marginalmente relevantes, mas antes o das grandes opções programáticas de fundo no plano da governação.
    Acontece que nada, nem sequer um sistema politico supostamente ideal, pode garantir que os eleitores, que são o que são e não podem ser substituidos ou reformatados, façam livremente as escolhas em principio mais convenientes para o pais !    

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