segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Paulo Pena e o Público são mesmo mentirosos

Vários comentadores de um dos meus posts anteriores estranham o facto de eu continuar a ler e, consequentemente, a financiar, a fraude intelectual que se instalou nas secções de política e economia do Público.


Gosto de ler um jornal em papel de manhã muito cedo, quando saio para beber um café, comprar pão e cumprimentar as últimas senhoras que ficaram a trabalhar até mais tarde na minha rua.


Reconheço que o Correio da Manhã tem tanta informação como o Público, no essencial, mais enxuta ideologicamente (ataca tudo por atacado), mas eu não gosto desse tipo de jornalismo.


Dos outros, nenhum é menos orientado politicamente e outras secções do Público, para lá da política e da economia, são melhorzitas.


É claro que se o jornal fosse todos os dias como o de hoje, segunda 19 de Dezembro, eu mudaria mesmo de jornal: pura propaganda da situação, coroada com um editorial em forma de conversa de café que deveria envergonhar qualquer estagiário.


Um bom exemplo vem do destaque do boateiro Paulo Pena, com pérolas que o caracterizam muito bem.


Ao demonstrar a sua tese de que 2016 é o ano do regresso da auto-estima de Portugal, em consequência do génio político de Costa, dos afectos de Marcelo e do golo do Éder, escreve "Portugal mudou, parece óbvio. Desde 2005 que não estávamos tão felizes. Há provas científicas: os investigadores da Universidade Erasmo de Roterdão mantêm uma "base de dados da felicidade". Todos os anos, desde 1985, seleccionam uma amostra em cada país e lançam a pergunta: "Considerando todos os aspectos, quão satisfeito ou insatisfeito está com a sua vida?" Em 2007 a média das respostas em Portugal apontava para um "suficiente", 5,2, numa escala de zero a 10. Com a crise a felicidade veio pela escala abaixo, chegando à negativa (4,8 em 2012). Em 2016 já vai em 5,2 outra vez".


Sabendo que o artigo era assinado por Paulo Pena, fui imediatamente confirmar os dados em fontes primárias:


o 5,2 de 2016 diz respeito ao ano de 2015.


No fundo, no fundo, ler o Público todas as manhãs é para mim um hábito como conversar com as senhoras que trabalham na minha rua, uma porta aberta para mundos diferentes do meu.


O facto de saber quem são os meus interlocutores ajuda-me a filtrar a informação e não me impede de aceder a um mundo maior que o meu necessariamente limitado mundinho.


Eu acho que isso justifica o meu financiamento da fraude intelectual, ao mesmo tempo que a denuncio, na esperança de que Paulo Pena e o Público ganhem um mínimo de vergonha na cara para, pelo menos nesse aspecto, chegarem ao bom nível das senhoras da minha rua.

8 comentários:

  1. Eu também sou dos que compram o Público a contragosto. E deixei de ler alguns dos articulistas que ali fazem propaganda ideológica.

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  2. Eu deixei de comprar há muitos anos. Não tenho pachorra.

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  3. Esse Sr. devia calcorrear os caminhos da nossa terra tentando ouvir o desalento e as agruras das nossas gentes...
    Tantos há a arrecadarem uns minguados mil e cem euros por mês, não obstante a sua qualificação superior, para " viver" com três filhos a quem invariavelmemte deve oferecer bem estar...
    Que magnífica auto-estima!!! 

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  4. Faço minhas as suas palavras, não percebo de onde vem esse bem estar ou quem responde aos questionários.
    O problema não é ser 2015 ou 2016 , é como chegaram ao 5,2?? Seja em 2015 ou 2016
    Ultimamente todas as estatisticas que noticiam tem tido resultados estranhissimos que eu não reconheço se olhar a minha volta....

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  5. A única razão que me impede de cancelar a assinatura do Público é ele ser dos poucos que renunciou ao malfadado Acordo Estupidográfico. Lamento que ele continue a ser um veículo de transmissão política do pior e mais tendencioso que hoje temos na nossa sociedade. Um único exemplo: dar a contra capa do jornal, três vezes por semana, a alguém altamente tendencioso, a quem os eleitores deram, nas últimas eleições, 0,5% dos votos. Tinha esperança que, com a mudança do Director, o jornal voltasse à sua independência original, mas francamente, já tarda. 

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  6. ? Não entendi nada. O jornal não pode contratar quem quiser para as suas colunas de opinião? E é necessária uma percentagem de votos para escrever num jornal? É do Rui Tavares que fala? Então, mas se o homem tem uma opinião politica, é óbvio que é tendencioso. Significa que tem uma tendência. Mas o António sempre pode exigir eleições para eleger os cronistas do jornal... Nunca ouvi tal coisa😃 E porque é que o compra, se o jornal o enerva tanto? Não entendo.

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  7. O Renato não entende, nem nunca vai entender. E não vale a pena tentar explicar-lhe. É areia de mais para a sua camioneta. 

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  8. Não entendo, não. Eu, em questões transcendentais não me meto. Nunca hei-de entender a ligação entre o número de votos e a legitimidade para escrever num jornal, nem o motivo pelo qual alguém lê diariamente um jornal, sem gostar dele. Tem razão, é areia demais para a minha pobre camioneta. 

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