quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O estranho caso das maravilhosas vitórias puríssimas

"Agora, prossegue Lacerda Machado, "acredito que as pessoas, ao fim de um ano começam claramente a perceber" que António Costa, ... começou "por mudar o sistema. ... Este reingresso de partidos e conjuntos políticos da maior importância para dentro do sistema foi uma alteração telúrica, uma movimentação de placas tectónicas e é, como se pode ver, uma solução que funciona"".


Há um ano que sou martelado com a ideia de que acabar com o arco da governação e integrar partidos que se colocaram à margem do sistema é, por si só, uma grande vitória política com um enorme e promissor futuro, sendo em sim mesma uma coisa muito positiva para o país.


No entanto, por mais que me esforce, não consigo ver escrito ou dito em lado nenhum qual é o efeito concreto disso, desse "abalo telúrico", em que é que se traduz esse efeito positivo para a vida das pessoas, para além de assegurar a sobrevivência política de Costa, questão que está abaixo da centésima prioridade da vida de mais de 90% dos portugueses.


Será talvez a altura de lembrar que esses partidos e "conjuntos políticos" (como eu deliro com gente que fala assim) estavam à margem do sistema por opção própria, aliás legítima, e porque 90% do eleitorado não estava (e veremos nas próximas eleições se continuam a ter 10% dos votos) interessado nas suas propostas para a governação.

4 comentários:

  1. O que é chocante é que "funcionar" no dicionário geringonço significa o mesmo que "estar". A geringonça "funciona" se quem perdeu as eleições se conseguir manter no cargo e satisfazer o desejo pessoal do PM, apesar de se tratar de um governo minoritário derrotado nas eleições junto com o seu programa eleitoral, e cujos membros diziam em 2014 que o governo da coligação vencedora com maioria absoluta era ilegítimo. Foi com este tipo de esquemas chico-espertos que se estranhou e depois entranhou em grandes nações como a cubana, a norte-coreana e a venezuelana.

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  2. 18% e não 10%. É ~1 milhão de eleitores, ou equivalente a metade da votação da coligação com mais votos.

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  3. Isso seria se as pessoas que votam no PC o fizessem interessados nas políticas do BE e as pessoas que votam no BE o fizessem para apoiar as políticas do PC.

    Somar peras com laranjas é uma habilidade que só tem utilidade para a salada de frutas, não para a matemática.

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  4. Henrique, não sei o que entende por "colocar-se à margem dos sistema". Qualquer partido, sem excepção, tem um projecto de poder politico. É da natureza dos partidos politicos. Acontece que o PCP e BE, como obviamente sempre quiseram, e legitimamente, agora têm pelo menos influência na governação. Coisa que, aliás, é reconhecido por toda a gente, desde os que os apoiam, até aos que dizem que este país está a ser conduzido para a bancarrota.
    Quanto aos 90%, que não estavam interessados nos outros 10%...  bom, esses 90% não são igualmente uma salada de frutas de peras, laranjas e outras frutas? Não entendo o raciocínio que fez. De qualquer forma, como dizia o outro, prognósticos só no fim. Já há um ano que se anuncia o fim do mundo para o dia seguinte, portanto... logo se vê. BE e PCP, claro, são partidos de dez por cento. Tal como o CDS, aliás, e nunca ninguém estranhou que estivesse no governo e apenas não mais do que 10% estiveram interessados no seu projeto de governação.Vejamos nas próximas eleições se sobe, se desce, o interesse das pessoas na governação do CDS...

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