sábado, 10 de dezembro de 2016

Mais vale cair em graça que ser engraçado

""O que registei do relatório é que eles, que acompanharam algum do ceticismo que muita gente teve no início deste ano sobre a evolução da nossa economia, mostraram-se agora agradavelmente surpreendidos por as previsões que tínhamos feito se estarem a aproximar da concretização e até terem, nalguns aspetos, um 'feeling' ainda superior ao meu e do senhor Presidente da República sobre a evolução da economia" (António Costa).


Um jornalista atento verificaria que "algum do ceticismo que muita gente teve no início deste ano" se referia a uma previsão do Governo de crescimento de 1,8% do PIB e um défice de 2,2%, e que o "mostraram-se agora agradavelmente surpreendidos" diz respeito à previsão anterior do FMI de 1% de crescimento do PIB e um défice a rondar os 3% e que, portanto, dizer que "as previsões que tínhamos feito se estarem a aproximar da concretização" corresponde a uma simples aldrabice que decorre do próprio Governo ter alinhado com "o ceticismo que muita gente teve no início deste ano", mudando o referencial da previsão para 1,2% de crescimento do PIB e um défice de 2,5%.


Fosse Vítor Gaspar a fazer estes malabarismos linguísticos e aritméticos e no dia seguinte toda a imprensa lhe chamaria aldrabão, pondo em evidência a esperteza saloia de usar dois referenciais como se fossem um só.


Mas Costa é Costa, pode dizer o que quiser que para a imprensa é virtualmente inimputável.

3 comentários:

  1. Não é questão da inimputabilidade da imprensa nem de o Costa cair ou deixar de em graça.
    Isto é mesmo má fé.
    A imprensa está do lado da esquerdalhada porque eles próprios, jornalistas, são de esquerda.
    A imprensa é de esquerda.

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  2. Não vou discutir se Vítor Gaspar fez este tipo de malabarismos (limito-me a constatar que não apresentou nenhum exemplo, falou de uma outra coisa qualquer cuja relação com isso nem percebi) mas apenas pedir-lhe para ler o post.
    É que o post é sobre a forma como o assunto é tratado pela imprensa e penso que ninguém nega que o tratamento dado pela imprensa a cada centésima de desvio das previsões de Gaspar era muito menos macio que o tratamento dado pela imprensa aos imensos desvios de Costa e Centeno (eu fui simpático e só usei os números previstos no OE depois da discussão com a Comissão Europeia, e não os números da previsão inicial).

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  3. E muitos deles, coitadinhos, nem sabem que são de esquerda. Os peixes são incapazes de definir "água".
    Os que julgam que sabem lutam pela sua causa, e que se lixem os factos.

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