terça-feira, 1 de novembro de 2016

Um tempo verdadeiramente novo

"A função pública começou a ver repostos os salários, o salário mínimo poderá aproximar-se dos 557 euros em 2017, os impostos aumentaram, mas por via indirecta, o que dá alguma margem de manobra aos consumidores. ... estas medidas bastaram, segundo o investigador Jorge Malheiros, para gerar "um certo capital de esperança" que fez diminuir o número de portugueses que todos os anos saem para trabalhar lá fora".


O Público, com certeza para ilustrar o meu post anterior sobre a forma como os jornais fazem a intermediação entre produtores e consumidores de informação e sobre a forma como boa parte da academia se demite do rigor académico no debate público, produziu esta pérola, reforçando a ideia no editorial:


o que explica os fluxos migratórios de 2015 são as decisões tomadas em 2016 e o capital de esperança criado por essas decisões.


Devo dizer que acho fascinante esta ideia da esperança retroactiva, é todo um mundo novo que se abre para mim.

14 comentários:


  1. Henrique, o que está no texto do Público é a esperança normal, a esperança por definição: as decisões tomadas com base em perspectivas de futuro.

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  2. É a propaganda do regime para incautos via o jornal Público.

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  3. "o que explica os fluxos migratórios de 2015 são as decisões tomadas em 2016 e o capital de esperança criado por essas decisões."

    AHAHAHAH
    Muito bem visto.

    Esta gente nem se apercebe do ridiculo em que cai.

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  4. E é isso que define um tempo verdadeiramente novo: decisões tomadas em 2015 com base na esperança criada por decisões tomadas em 2016

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  5. A caçar gambozinos...1 de novembro de 2016 às 17:12

    Resumindo:


    Direitralha, só para dizer mal até injecção estragada apanham...

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  6. Também dizem que é uma mudança com inteligência :-)
    Eu diria antes com "esperteza saloio" (sem ofensa para a região saloia) e muita propaganda para enganar quem quer ser enganado.

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  7. E sobre o post, tem alguma coisa de concreto a acrescentar à discussão?

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  8. Interessa-me os números totais e o saldo, na anterior legislatura e nesta, que se verá daqui a três anos, quatro anos. Foi o Cesar das Neves que disse, em 2014, que o grande surto da emigração era bom para o país. Segundo ele, alivia a taxa de desemprego, facilita a vida dos que ficam e é bom para os países de destino. Quanto aos jovens cérebros, saem porque agora não são cá necessários; quando cá forem precisos, voltam. Tinha esta bizarra e original teoria da vantagem da emigração, mas era pelo menos suficientemente inteligente para não ignorar os números e os efeitos óbvios da austeridade, pois o contrário seria cair no ridículo e isso seria mau para a reputação. 

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  9. E na página seguinte está a entrevista ao Rui Pena Pires. E o que é que ele diz?

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  10. Não é teoria, porque é matéria de facto, nem é bizarra, porque é evidência, nem é original porque há dezenas de pessoas a dizer o mesmo (incluindo eu).
    Mas o post não é sobre emigração, mas sobre a forma como se fala dos factos.

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  11. Henrique, eu nunca disse que não eram factos. Obviamente, se 500 mil emigrarem, são menos 500 mil que aqui procuram emprego e baixa a taxa de desemprego. Ma, pode-se dizer factos e ser na mesma imbecil, não acha?... Não se importa de ler outra vez?
    Já quanto à alegação de que a emigração facilita a vida dos que ficam, para além de falso, acumula com o ser imbecil, portanto, faz o pleno.
    A sério que o Henrique já disse o mesmo?

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  12. 1) Não emigraram 500 mil pessoas (sugiro que consulte os dados em vez de repetir acriticamente o que se ouve por aí);

    2) Estamos então de acordo os três (Renato, César das Neves e eu) "são menos 500 mil que aqui procuram emprego e baixa a taxa de desemprego". Óptimo;
    3) Se existem menos um milhares de emigrantes a pesar nos subsídios de emprego (ou seja, nos impostos dos que trabalham) e se existem uns milhares a menos a competir no mercado de trabalho, é uma evidência que isso favorece os que ficam.

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  13. Muito se escreve e diz sobre a reposição de salários na AP. Mas desde o dia ou ano de 2006 que jamais vi o meu salário ter quaisquer tipo de aumentos. Aliás, não só deixou de crescer, como, decresceu após um ex-Ministro da A.Interna acabou com a DGV e a transformou, retirando os subsídios de risco

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