Tenho a impressão de que há alguma mudança na discussão pública e na forma como o rolo compressor da predominância cultural e mediática da esquerda parece estar com alguns problemas na engrenagem.
Parece-me, embora possa ser só eu a ver o que gostaria de ver, que na morte de Fidel Castro deixou de haver uma dominância avalassadora dos panegíricos temperados com alguns "mas" (veja-se Catarina Martins a falar dos erros do grande revolucionário, como ilustração) para haver debate sobre a ilegitimidade das ditaduras, independentemente dos seus resultados serem positivos ou negativos.
Ao contrário do que eu estaria à espera (e que foi ensaiado inicialmente pelos jornais até se sentir que o vento tinha mudado e que elogios a Fidel Castro não passariam facilmente sem crítica) rapidamente o discurso da liberdade empurrou o discurso romântico sobre Fidel para um tom defensivo (mais uma vez, Catarina Martins sentindo necessidade de dizer que o BE sempre esteve contra os erros do regime cubano).
Sobrou apenas o PCP (e afins) para fazer o discurso que seria dominante há vinte anos, nestas circunstâncias.
Pode ser que venha por aí um tempo novo em que, para a generalidade das pessoas, ditaduras são ditaduras e ditadores são ditadores.
ResponderEliminarPodem analisar-se as ditaduras, estudar os fenómenos sociais e políticos associados e etc., o que não faz sentido é pretender que Trump não é (na verdade, neste caso, ainda não é) um presidente e que Afonso Henriques não era um rei, omitindo isso na descrição sucinta do seu papel histórico.
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