sábado, 22 de outubro de 2016

Idiotas úteis

"Em suma, dada a precariedade financeira ainda subsistente, toda a prioridade da atuação económica deve ser urgentemente encaminhada para o crescimento económico sustentável e para a criação de um clima de confiança duradouro dos investidores, combinado com um adequado equilíbrio orçamental. Se tal não suceder, uma subida das taxas de juro da dívida portuguesa poderá ter consequências muito nefastas."


Este é o consenso básico em matéria económica.


Nos últimos anos tivemos duas experiências para lidar com a situação:


a) admissão de que a restrição financeira decorrente da dívida punha em risco o financiamento da economia e, consequentemente, investir tudo na criação de confiança nos potenciais financiadores, dando sinais claros de que se percebeu que a trajectória da dívida tinha de ser invertida, usando a política orçamental para, o mais rapidamente possível, ganhar margem financeira (o governo anterior e a troica ou, mais precisamente, o inverso);


b) considerar a restrição financeira como uma criação ideológica que era preciso cumprir o menos possível para libertar recursos para o investimento que redundaria no crescimento económico, investindo tudo no cumprimento formal das regras mas sem mostrar a menor preocupação com a substância do problema do endividamento excessivo (a actual maioria).


Podemos comparar resultados: "as taxas de juro nacionais chegaram a atingir valores máximos de mais de 17% antes de iniciarem um processo de descida para um mínimo de cerca de 1,7% nos primeiros meses de 2015, a que se seguiu uma subida gradual para os atuais cerca de 3,2%".


Perante isto o que fazem os bem pensantes da direita?


Reclamam porque os responsáveis pela primeira opção são fracos e deveriam ser substituídos por outros, mesmo não sabendo quem são e o  que valem, e desvalorizam o facto de os que existem e estão disponíveis, fracos ou não, terem apresentado resultados muito mais tranquilizadores que os apresentados por quem os substituiu.


São os que procuram sempre o óptimo, como se não soubessem que é inimigo do bom.


A esquerda sempre promoveu activamente os "idiotas úteis" e, ao menos nisso, continua muito clássica.

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