Tirando um ou outro desavergonhado comentador colaboracionista dos que desapareceram das TVs nos últimos dias (rapem-lhes o cabelo!), há um coro que resulta dos donos dos nossos noticiários como António José Teixeira, Ana Lourenço, Pedro Santos Guerreiro, Miguel Sousa Tavares, Constança Cunha e Sá outros que não disfarçam o desejo de ver as nossas ruas incendiadas como numa romântica e idealista praça Syntagma, numa rebelião contra os fanáticos e reincidentes alemães que sugam a alma da Europa. Afinal todas as gerações têm direito a uma guerra com os bárbaros. E se matar muita gente, que seja pela televisão, de forma pacífica.
Salvo poucas excepções, as televisões estão cheias de imbecis com uma agenda político-partidária, instrumentalizando o caso da Grécia mas não sabendo nada sobre esse país. Nem sequer entendem a União Europeia. É incrível como não há memória histórica, porque nem foi assim há tanto tempo. Põe-se tudo em causa na Europa por causa da Grécia, que é um país profundamente disfuncional, incapaz de lidar com a globalização e com a complexidade da UE desde os sucessivos alargamentos. A Grécia praticamente não tem política externa, por exemplo. Não existe. O aparelho diplomático daquele país parou no tempo e a instabilidade política não permite que haja um rumo na diplomacia daquele país.
ResponderEliminarRelativamente à zona euro, tem sido comum criticar os Tratados Europeus por não preverem a saída de um Estado da moeda única, mas curiosamente são aqueles que não querem a saída da Grécia que mais fazem essa crítica. No entanto, essa omissão não existe originalmente por causa da Grécia, mas sim por causa da Alemanha. A Alemanha aceitou o euro relutantemente e o receio na altura era que a Alemanha, por pressão da sua opinião pública, pudesse voltar ao marco se as coisas não corressem bem. Mas não só. Os pequenos países também queriam uma garantia de que não seriam postos fora da moeda única se passassem por dificuldades, porque por sua vontade não saíram, como é lógico. Os portugueses não ficariam melhor e mais ricos por voltarem a ter o escudo, ou os espanhóis a peseta, muito menos os gregos com o dracma. Já com os alemães ou com os holandeses o caso mudava de figura. A haver uma saída voluntária seria sempre de algum país rico e forte, em especial da Alemanha, e isso acabaria com o euro.
É bom que se recorde a verdade histórica porque a intoxicação que vemos nas televisões é uma vergonha. E outra coisa. O que seria do esforço de guerra Aliado se na altura já existissem televisões? Todos os dias haveria jornalistas a procurar captar a frustação dos populares contra a guerra, contra a austeridade, etc, minando a moral do país. Com tanta histeria mediática, é cada vez mais difícil governar a pensar no futuro e tomar medidas difíceis e impopulares. Estamos a fazer a nossa própria "cama", uma "cama" cheia de "espinhos". Veremos se há uma maioria de portugueses que pensa para além dos telejornais...
Já repararam que, sempre que é noticiada a posição de Pedro Passos Coelho relativamente à situação grega, o locutor/repórter refere sempre que essa posição coincide com a da Alemanha? Como se o Primeiro-Ministro de Portugal não possa ter opinião própria, apenas pode discordar da Alemanha ou ser um lacaio.
ResponderEliminarDesculpe lá, está a brincar, só pode.
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