"Durante anos, na Assembleia da República, Bernardino teve apenas de verter soundbites.
A “realidade” nunca o incomodou. Foi preciso ir a Loures.
Àqueles que fantasiam “alternativas”, é necessário lembrar:
em Portugal, durante muitos anos, governar será sempre ir a Loures."
Em Loures, Víctor Gaspar chama-se Bernardino Soares. (…) Eis alguns dos desabafos do novo presidente da câmara, segundo a imprensa e o site da autarquia: a “situação financeira (do município de Loures) é dramática”, “temos que procurar medidas que podem ajudar a reajustar os serviços da câmara”, temos de ver onde podemos reduzir custos”, as “decisões (estão) muito condicionadas”, “há que fazer muito com pouco”. Aos empregados municipais , extirpou todas as ilusões: “Seremos exigentes porque o serviço que prestamos terá de ser mais eficaz”. (…)
A imprensa anda enxameada de videntes a jurar que o Partido Socialista, uma vez no governo, continuará a austeridade aliado ao PSD. Ora bem: em Loures o PCP prepara-se para aderir à austeridade – e em aliança com o PSD local. No caso do PS diz-se que essas coisas acontecem porque o partido não é suficiente à esquerda. E o PCP?
Bernardino não se converteu. Continua a ser comunista e a preferir a democracia da Coreia do Norte. Simplesmente, o seu antecessor socialista em Loures deixou-o sem dinheiro. No seu lugar também João Semedo ou Rui Tavares estariam a falar como Victor Gaspar. (…) Porque em Loures há provavelmente dinheiro – não na Câmara mas nos bolsos e nas contas bancárias dos seus residentes. Bernardino, sensatamente, pressupõe qua a vontade dos munícipes não é entregar-lhe rendimentos e poupanças. Na Coreia do Norte, poderia expropria-los, através de nacionalizações ou de inflação, e “reeducar” os recalcitrantes. No Portugal do Euro não pode. E mesmo no reino dos Kim, nunca poderia ir além do que os seus súbditos produzissem. É isso a realidade: aquilo que resiste à nossa vontade e à nossa ideologia.
Durante anos, na Assembleia da República, Bernardino teve apenas de verter soundbites. A “realidade” nunca o incomodou. Foi preciso ir a Loures. Àqueles que fantasiam “alternativas”, é necessário lembrar: em Portugal, durante muitos anos, governar será sempre ir a Loures.
Rui Ramos, hoje no Expresso
Quem tiver o azar de vir a suceder ao Costa em Lisboa vai ter um problema muito maior do que o "querido líder" de Loures. Quem vier a seguir apaga a luz na capital, para que o outro se ande a promover como uma "alternativa" à austeridade. Mais bancarrotas ns aguardam com o mesmo tipo de políticas e políticos, de certeza.
ResponderEliminar