A actual maioria, quando na oposição, acolheu a enchente de aflições como um simples meio para despejar o governo anterior, e o mesmo fazem as oposições de hoje, fingindo que a crise resulta única e exclusivamente destes ministros e da sua filosofia. A partir daí as oposições estão condenadas a celebrar as más notícias. Porque cada aumento do desemprego ou cada subida dos juros da dívida é, ao mesmo tempo, prova de iniquidade governativa e prenúncio de mudança. Se tudo continuar mal, tudo acabará bem: o governo será substituído e as suas políticas também (…)
Portugal não passa por uma crise de alternância, mas por uma crise de regime. (…) Sem o ajustamento, socialismo ou liberalismo em Portugal pouco mais serão do que retóricas sem consequências, porque, sob a ditadura das circunstâncias, os socialistas hão-de privatizar o Estado e os liberais expropriar os privados.
Rui Ramos no Expresso
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