Se o acordo de solução da crise entregue a apreciação de Cavaco Silva é compreensivelmente assunto sob reserva, Paulo Portas ontem também não explicou nada no Conselho Nacional sobre o abalo que pôs Portugal inteiro à beira dum ataque de nervos por conta de suas “decisões de consciência”, que por definição “não se partilham nem são sufragáveis”.
Com estas explicações Paulo Portas saiu ontem à noite do Largo do Caldas, não em ombros, mas num andor, exaltado por boa parte dos presentes que assim acalentam pelo líder uma afeição religiosa, inquestionável, autojustificada.
Assim, para alguns, o terramoto da última semana foi liminarmente passado à história (?) com falta de pudor ou simples artes de retórica, com a entoação de silogismos bem articulados em voz grossa que aguentam tudo quando desvinculados da realidade. Saímos do Conselho Nacional com a leve impressão que talvez tenhamos sido vítimas de um delírio colectivo: não vivemos a tensão de um folhetim que estraçalhou um governo tremendamente fragilizado entre a ameaça de ruptura social e as exigências do resgate financeiro, não tivemos (temos!) um País em estado de choque. Uma cena macabra que confundiu e traiu as expectativas dos eleitores centristas avessos à instabilidade política. Não, talvez não tenha acontecido nada, tudo não tenha sido mais que um sonho mau que passou na minha cabeça.
É escusado divagar. Portugal está e estará nas mãos de Portas, que é exactamente aquilo que ele desmesuradamente quer. Os seguidores seguem-no, como se fossem politicos, prontos a dançar com qualquer filósofo parisiense de qualquer cor e raça que por aí apareça.
ResponderEliminarJoão,
ResponderEliminar1. Compete à Sociedade Civil redotar-se de legitimidade perante espadachins rodrigolheiros da nossa praça. ELEIçÔES, nem que o CDS fique na vespa e não no táxi. "Que se lixem as eleições", é mesmo verdade perante o que está aí e esta gentinha do CN não percebe (tinha confiança que percebesse mas qdo vi o Dr. Portas com os aumentos do salário mínimo percebi que Não Está a Ver o Filme).
2. A falta de ideias, a frivolidade, com que esta gente fraquinha de espírito (sim!, falta muito do ideológico, mesmo muito...do bem profundo) se passeia pelo partido é MOTE para que em Congresso o MILItANTE ANÓNIMO demita PAULO PORTAS não votando na sua moção, e na sua ganga, e quando o mesmo falar abandone o Congresso. O CDS-PP teve gente à atura dos acontecimentos, e não gente que se passeia, bisbilhota, coscuvilha, grunhe umas patacuadas que nem na AG do clube da terra se ouvem.
3. É grotesco o que foi feito ao País. GENTE SÉRIA E CONSCIENTE nunca assim agiria: amarguras, estados de alma, curam-se com recato, lágrimas, e lamento solitário.
4. É tempo de dar voz à Sociedade Civil e esta que escolha o caos ou o caminho. É tempo porque é ilusório dizer-se que a nova agrupagem de gente "dá confiança", é falso, como se percebeu nos últimos dias.
Acho que é tempo de dar voz à sociedade militar...
ResponderEliminarEsta mania da sociedade civil tira-me do sério. Mais um entre tantos chavões papagueados.
Chama-se ELEITORADO!!!!!
ResponderEliminarHá mais vida do que ser... eleitor. A Sociedade Civil é muito mais. O que interessa é eleições, é por elas que a Sociedade Civil toma o poder e exerce, sendo eleitorado.Nominalismo portanto.