Só uma classe que recusou, como ultraje, a possibilidade de ser avaliada para efeitos de progressão profissional – isto é, uma classe de medíocres reivindicam o direito constitucional de ganharem o mesmo que os competentes – é que se pode permitir a irresponsabilidade e a leviandade de decretar uma greve aos exames nacionais. Nisso são os professores exemplares: transmitem aos alunos o seu próprio exemplo, o exemplo de quem acha que os exames, as avaliações são um incómodo para a paz de um sistema assente na desresponsabilização, na nivelação de todos por baixo, na ausência de estímulo ao mérito e esforço individual.
Mas a greve dos professores vai muito para lá deles: reflecte o estado de espírito de uma parte do País que não entendeu ou não quer entender o que lhe aconteceu. Deixem-me, então recordar: Portugal faliu. O Portugal das baixas psicológicas, dos direitos adquiridos para sempre, das falcatruas fiscais, das reformas antecipadas, dos subsídios para tudo e mais alguma coisa, dos salários iguais para os que trabalham e os que preguiçam, faliu. Faliu: não é mais sustentável. (…) Se alguém conhece uma alternativa mágica em que se possa ter professores sem crianças, auto-estradas sem carros, reformas sem dinheiro para as pagar, acumulando dívida a 6,7 ou 8% de juros para a geração seguinte pagar, que o diga.
Miguel Sousa tavares, Expresso 15 Junho 2013
Está na massa do sangue deste Sr. insultar tudo e todos e falar do que não sabe. A avaliação dos professores decorre e, já agora, seria interessante investigar o conceito de "mérito" por parte daqueles que o propalaram, acabando por torná-lo iníquo, desastroso e assimétrico.
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ResponderEliminarJosé, você presume que está a falar para pessoal que se interessa de facto pelo que realmente acontece nas escolas. Nada disso. Este pessoal é movido pelo ódio aos professores. Quando o ensino se centrava no aluno, a direita dizia que isso era o eduquês e que é preciso é repor a autoridade do professor, depois quando os professores exercem a sua autoridade sobre o que julgam melhor para o ensino, eles dizem que os professores não sabem nada do assunto, que só querem regalias etc. Sabe qual é o resultado? É o de apoiar o reforço do poder do ministério da educação central sobre todo o sistema de um lado e a privatização do sistema do outro, ou seja, apoiar instâncias as mais distantes das escolas - ministros e capitalistas.
O Sousa Tavares nem sempre acerta, mas neste caso, José, esteve correcto: FALIU. Qual das letras não percebe?
ResponderEliminarFaliu? Ok. Porque razão então o governo de um Estado falido que aumenta impostos e explora os reformados não utilizou todos os meios ao seu alcance para amenizar os prejuizos com swaps ruinosos, alguns deles contratados por uma secretária de Estado do próprio governo:
ResponderEliminarhttp://www.ionline.pt/artigos/dinheiro/estado-tinha-argumentos-tentar-anular-contratosde-swap-tribunal (http://www.ionline.pt/artigos/dinheiro/estado-tinha-argumentos-tentar-anular-contratosde-swap-tribunal)
E isto: