(…) Não é fácil falar deste tema. Como escapar à suspeita de “moralismo”? Mas é preciso falar. Não apenas por causa da demografia, isto é, dos contribuintes que vão faltar para pagar pensões ou das crianças que já não há para justificar emprego a professores. O problema é maior. Tem a ver com a capacidade para gerar prosperidade e coesão social.
A família dita tradicional foi, para muita gente, uma conquista recente. Nas sociedades antigas, muitas mulheres e homens não chegavam a casar. Em Portugal, por exemplo, a conjugalidade terá aumentado com o desenvolvimento até meados dos anos 1970. Foi efeito, mas também causa: o casamento e a família foram sempre um meio eficaz de acumulação de recursos e de promoção social através das gerações. Não por acaso, nos EUA o casamento é um dos traços que hoje separam mais nitidamente os ricos dos pobres: os ricos também se divorciam, mas nascem e vivem em famílias de dois cônjuges, ao contrário dos mais pobres. (…)
A Suprema Rebeldia - Rui Ramos, Expresso 25 Maio 2015
Não concordo, mas é uma boa defesa da co-adopção!
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