(...) O relatório precisa de ser lido, discutido, criticado, destroçado, escrutinado, como quiserem. Já está a sê-lo. Haverá tempo de, com calma e cautela, perceber melhor o que preconiza. Para já, se o relatório tem uma agenda, diga-se que não é oculta. É inútil dizer que esta é apenas a receita fanática do FMI. O relatório é transparente, severo, politicamente incorrecto. É tão transparente que pode funcionar como um soco no estômago. Errado ou certo, não o vou discutir agora. É economicista, pois claro. Chamem-lhe o que quiserem. Mas discutamos os factos que doem.
Tanto se fala de agendas, a nossa e a deles, que, para este relatório, fomos nós que tivemos uma agenda oculta. Porque o Estado tem sido a nossa agenda genuinamente oculta. Capturado por grupos, colonizado por maiorias legislativas, ocupado por partidos. A proliferação de regimes e clientelas, a desigualdade entre pensões da Caixa Geral de Aposentações e pensões do regime geral, o fosso entre insiders e outsiders, a sistemática transferência dos benefícios sociais para os protegidos, o esquecimento dos desprotegidos, a excessiva oneração dos trabalhadores de hoje para o que eles terão amanhã em reformas, a deficiência dos incentivos, as formas injustas de distribuição, o retrato que fica é de uma sociedade em que o Estado aqui esteve à disposição dos que tiveram poder para o capturar. (...)
Pedro Lomba hoje no Público
É tão transparente que ao que parece usa os resultados o PISA de 2003 com os gastos de 2000. Quando há resultados PISA de 2009, e gastos de quando se quiser. Tresanda a coziinhado para tuga engolir...
ResponderEliminarUma vez mais, o artigo do Pedro vale bem o preço do jornal inteiro.
ResponderEliminarA malta cá do bairro não gosta da imagem do espelho...... Há que partir o espelho, certo?