O discurso que Cavaco Silva fez na Quarta-Feira de Cinzas veio com três anos de atraso. As declarações de Passos Coelho na noite de ontem vieram com um ano de atraso. Cavaco sabia, ou devia saber, em 2008, que o caminho pelo qual os socialistas conduziam o país iria levar-nos à situação de hoje. Se não sabia, perguntasse à sua amiga Manuela Ferreira Leite que, mesmo contra a má vontade dos jornalistas e comentadores, lá ia avisando. Ou então, o que é ainda pior, pensou que se saísse do seu comportamento “institucional” iria prejudicar a sua reeleição para presidente.
Passos Coelho, em nome do “interesse nacional”, não quis derrubar Sócrates há um ano, quando ainda estava em estado de graça após a categórica vitória para a liderança do PSD, defendendo que Portugal ia beneficiar perante os mercados. Ou então, o que é ainda pior, considerou que Sócrates tinha que sofrer até à última consequência os resultados da sua governação, com medo que os eleitores portugueses mais uma vez não percebessem (como aconteceu com o governo de Durão Barroso quando tentou reparar os erros de Guterres ou com a reeleição de Sócrates) quem era o verdadeiro responsável pelo desastre actual. Hoje, com os juros a 8%, com novas medidas de “austeridade” que aumentam impostos e cortam nas pensões do reformados, sem dúvida a geração mais à rasca do país, com o Governo a continuar a prever obras públicas absurdas, percebeu finalmente que foi enganado.
Seja como for, faltou rasgo tanto a Cavaco quanto a Passos Coelho. É claro que mais vale terem agora despertado para o que deviam fazer do que nunca. Mas os danos que causaram ao país com os seus comportamentos “prudentes” são irreparáveis por muitos anos. E não deixa de ser quase cómico que as mesmas pessoas que na altura elogiavam estas prudências como se fosse a única atitude possível, venham agora pedir a Cavaco e a Passos Coelho que salvem o país da bancarrota há tanto tempo anunciada.
sábado, 12 de março de 2011
Prudências que nos arruinam
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Bancarrota anunciada? Era bom, era. Bancarrota à vista de todos, isso sim...
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ResponderEliminarContudo quando MFL optou por falar a Verdade o povo escolheu a mentira, em democracia os políticos são o espelho das características mais comuns do povo.
ResponderEliminarOs políticos que não quiseram dizer o que hoje dizem, agiram assim porque falar a verdade coisas duras não é coisa que seja aceite por este povo e a prova está que ainda a mentir descaradamente e com mais evidências da mentira do que quando Saeed al-Sahhaf falava e as bombas caíam em Bagdad para demasiados portugueses a cotação de Sócrates está em alta.