terça-feira, 1 de março de 2011

A política não é parva

 


Muito bem vai a jornalista Isabel Stilwell quando desafia a geração “à rasca” ou “que parva que sou”, a deixar-se de vitimismos e dar expressão à sua revolta arregaçando as mangas e imiscuindo-se na política. Isso mesmo, na Po-li-ti-ca: ganhava a democracia, ganhava Portugal, ganhavamos todos. Pode parecer muito pouco, mas é incomensurável o privilégio de se ter uma voz que conta sem abolir a dos outros (e vice-versa). Sendo este um objectivo difícil, cumpre aos organismos políticos existentes, através dos nossos representantes, a delicada gestão desses equilíbrios. A quem lhe desgostar os partidos que temos, há que mudá-los e renová-los por dentro ou criar novos – é uma batalha cansativa, com reuniões, votos e desgostos, assembleias e congressos, mas a alternativa garantidamente é bem pior. De resto, facilmente se adivinha como é um mundo sem política, pondo os olhos no Líbano, no Iémen, no Egipto e na maior parte das repúblicas africanas. Estes tempos mais difíceis que se aproximam, apelam à acção, mas convém não perder o norte, e definitivamente não armar em parvo. 

7 comentários:

  1. Sebastiâo Castro Lemos1 de março de 2011 às 18:06


    Meu caro João
    Política, etimologicamente, significa a arte de bem governar (a cidade, polis em grego). Infelizmente, transformou-se na arte de governar os bolsos dos governantes e dos seus "boys". Não concordo de todo com a "jornalista" por ti citada. A verdade, é que Portugal está a sofrer uma verdadeira sangria de jovens quadros que fogem do país. Dos que ficam, a maioria é ignobilmente explorada, se por acaso arranja um trabalho qualquer e quantas vezes, fora da área para a qual tanto se esforçaram. Têm todo o direito à indignação e a estarem fartos deste sistema. O problema, vai ser o que vão fazer estes pobres partidos com esta indignação. Sabes bem que quem sempre se perfila como lider, é gente que nunca fez nada na vida, cuja carreira começa nas jotas e aos solavancos de intrigas e jogos, vão trepando até ao topo. Gente sem estofo e sem moral.
    Por mim, e se puder, estarei no dia 12 ao lado das minhas filhas e de tantos filhos de amigos que se limitam a prolongar estudos, sem conseguirem ver um futuro na frente.
    Um forte abraço,

    Sebastião Castro Lemos

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  2. "A rua", caro primo, é só um ponto de partida. A solução estará sempre na política.
    Forte abraço

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  3. Ah, mas o desafio devia estender-se aos... políticos. E estou-me a lembrar dos deputados, que foram eleitos para  representarem a vontade dos seus eleitores e não deviam vestir a farda de lacaio dos dirigentes partidários. Veja-se, por exemplo,  a absoluta vergonha que é o «acordo ortográfico» e o que essa gente trai quem devia servir.

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  4. Caro João Távora, estou completamente de acordo consigo, aliás para estar mais, teria que ter sido eu a escrever as suas palavras, todos os que querem mudar alguma coisa no plano do poder secular, têm obrigatoriamente que intervir na cena politica, se bem que quem vai para essa luta, deve ter em conta que poderá haver um preço a pagar e se tiver que pagar esse preço, paciência, já sabia à partida que tal poderia acontecer. Quanto a essa manifestação que se promove no mundo virtual, sem estrutura, sem definição, sem liderança, não tenho grandes ilusões que será um "flop", mais, penso até que poderá muito bem estar a ser alimentada pela máquina do poder vigente, como forma de prova, que a sociedade civil não funciona maciçamente de forma organizada fora do colete de forças sindicalista e partidário existente.

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  5. Caro João

    Isabel Stilwell poderá sempre arrogar e verbalizar as barbaridades que lhe apetecem acerca da geração "casinha dos pais"...
    Além de confortavelmente instalada, sem a precariedade a espreitar e perfeitamente inserida num sistema de coisas, que além de obviamente errado lhe permite com devido nojo e distância proferir tais alarvidades... Bem haja Isabel por não padecer do mal de muitos...
    Como poderão os jovens integrar e mudar um sistema que se desmorona de podre a cada dia que passa?
    Jovens esses sem expressão nos media (ao contrário de Isabel Stilwell...), organismos públicos ou na política onde sabemos que tudo está infectado com o pus da corrupção e da militância!
    O Prós e contras desta semana foi nada mais nada menos do que contra informação, onde ninguém quis por o dedo na ferida, com os discursos useiros e vezeiros de uma geração que sabendo se menos apta para o mundo de hoje, não quer perder o poder que granjeou para si...
    Primeiro revolução e higienização da Democracia e restauro do verdadeiro interesse público... Depois, esta geração na política!

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