A história da senhora D. Augusta Duarte Martinho é toda ela uma macabra parábola sobre a cidade, a de cimento e a outra, dos homens, que vimos construindo na ilusão de civilização. De todas as responsabilidades que haja a apurar, do ministério público, à polícia, aos vizinhos ou familiares, não me parece que alguém se possa pôr de fora desta trama. Acusar uma "sociedade doente", é a melhor forma de cada um se descartar da sua cumplicidade. A “sociedade” em si é inimputável. Mas não as pessoas que a compõe, com as suas escolhas e atitudes. Com que se moldam e arquitectam vidas, algumas que degeneram em sofrimento e solidão, e que se finam todos os dias abandonadas num apartamento qualquer perto de nós. Mais perto do que queremos acreditar: só quem anda muito distraído se surpreende.
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