quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A minha utopia


 


Se é verdade que o analfabetismo, a iliteracia ou a ignorância não se reduzem por decreto, constituindo antes combate para muitas gerações; se é verdade que o desígnio da liberdade individual depende dum tanto quanto possível equilíbrio entre a auto-estima e conhecimento do indivíduo, não deveriam as elites do país de Abril pautar o seu discurso com muito mais modéstia? Verificando os disparates verberados na disputa política e a nossa proverbial incapacidade de mudar alguma coisa que se veja, leva-me a suspeitar que, como Povo, a distância cultural que nos separa duma “idade das trevas” não é substancial, o que nos deveria inquietar.


Acredito piamente que a redenção de Portugal está dramaticamente dependente duma democratização do saber, aprofundada por várias gerações. A nossa evolução civilizacional carece da generalização dum julgamento e arbítrio mais sóbrio e mais fundamentado, liberto tanto quanto possível de feridas recalcadas e preconceitos sociais. Quantas mais pessoas pudessem reconhecer a sua História e ascendência com orgulho, sem preconceitos ou complexos, mais livres seriamos para acreditar num futuro que todos somos chamados a construir com responsabilidade.


Libertar um Povo das amarras da ignorância e ensiná-lo pensar é tarefa para muitas gerações, que em Portugal começou tarde demais. Mas tal significa aliviar o país do predomínio da grosseria e do ressabiamento, o único caminho que vale a pena trilhar.


4 comentários:

  1. Assim é que se fala!

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  2. A posta está a precisar de uma revisão.

    Por exemplo:
    "Ao verificar os disparates (...) leva-me a suspeitar"

    ou

    "acreditar num futuro a que todos somos chamados a construir"

    é muito mau português.

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  3. Caro João Távora sonhar é bom, é mesmo muito bom, aliás aprecio nesta proposta de plano a sua candura e bondade, mas ainda bem que titula a mesma de utopia, pois parece-me que "libertar um povo das amarras da ignorância e ensina-lo a pensar", é algo muito próximo do impossível se não o for mesmo. O único exemplo que conheço de erradicar a iliteracia num povo inteiro, aconteceu no final do século XIX no Japão do Imperador Meiji e mesmo aí até à morte do imperador não se passou muito da barreira dos 80%, o que convenhamos é absolutamente notável para a época e intervalo de tempo decorrido (1871 - 1912), mas combater a iliteracia não é a mesma coisa que tirar um povo da ignorância, é apenas dar-lhe uma educação mais ou menos básica e quanto a ensina-lo a pensar, pois sim, isso como podemos atestar do exemplo dado pela sociedade em que vivemos, é uma quimera, mas não é somente para os portugueses é para todos os povos. Mas os bons sentimentos e as boas intenções merecem-me todo o respeito, bem haja por pensar assim.

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  4. Caro Velho: Acho que não me fiz entender: defendo como meta prioritária (de longo prazo) retirar gradualmente influencia à grosseria e ao ressabiamento. 
    Abraço

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