terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Portugal: uma eterna diáspora

 


Estava há pouco ao almoço a ouvir numa mesa atrás alguém que imaginei ser um jovem recém-formado, a enumerar uma infindável lista de colegas e amigos que estavam a trabalhar no estrangeiro, ou que já tinham destino definido para emigração. Conheço algumas pessoas pouco mais novas do que eu que durante os últimos anos se decidiram pelo mesmo. Esta é mais uma inalienável consequência da nossa provecta cultura socialista: assim o país definha sem economia, esperança ou geração, pendurado nuns poucos destemidos empresários, programas de apoio e outros subsídios. De resto, neste jogo de cadeiras que é o mercado de emprego nacional, as poucas que se aguentam intactas estão firmemente ocupadas, até que o caruncho os derrube aos dois. Hoje como há 600 anos o fado português é a diáspora.

5 comentários:

  1. "fado" ? Isso infelizmente é também a perspectiva tipicamente portuguesa que sair do país é uma espécie de maldicao. Experimentar outros países, outras culturas, outras maneiras de viver é algo que se faz naturalmente nos outros países.
    O verdadeiro problema de Portugal nao é o mercado de emprego ou quejandos - é a mentalidade portuguesa.

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  2. Caro João, essa é a sina nacional, perder o seu sangue novo e mais especializado para o estrangeiro, essa foi a verdadeira razão pelo apoio a Bolonha de alguns países, levar uns tolos a investir na formação para eles irem buscar os mais especializados.

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  3. E 75.000 portugueses já estão em Angola, outros milhares espalhados pelas capitais europeias e outros ainda no Brasil, economia do futuro.
    Exôdo que continuará certamente nos próximos anos.

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  4. Sair de Portugal, conhecer outras culturas, aprender "diferente" é sem dúvida fantástico. A questão está em que os portugueses licenciados saem de Portugal não por esses motivos mas apenas porque não conseguem ficar. É essa a grande diferença entre nós e outros povos que emigram porque simplesmente "lhes dá na bolha" e voltam, quando a "bolha se esvai".

    Por mim falo, que emigrei há 10 anos e que cada vez vejo mais portugueses na Holanda. E não falo de trabalhadores das estufas, falo em jovens qualificados. Não conheci até hoje um, um só, que me tenha dito que se enfiou nestas terras baixas, debaixo do capacete de nuvens, com este griso no vento, imerso numa língua de trapos e uma culinária de fugir só porque achava interessante crescer profissionalmente através de uma experiência destas. Que nos faz bem, faz! Que enrijesse as carnes e as mentes, lá isso sim, que coloca muitas coisas numa perspectiva diferente e muito menos romântica do que é a dita "Europa" e põe em causa os clichés "dos países desenvolvidos", sem dúvida, apenas não é uma decisão voluntária. Aliás, começo a pensar que os portugueses deviam todos emigrar uns aninhos para um destes "países desenvolvidos" porque os beneficios da emigração deviam ser para todos..., desempoeiravam, avivava-lhes os sentidos.

    Para mim, emigrante, não me custa que os portugueses saíam. Maça-me é o facto, de que apesar de quererem, nunca mais puderão voltar.

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  5. perdão, poderão! (arre!)

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